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Colunistas Operação Venire

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(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O ministro Alexandre de Moraes voltou às manchetes. Na quarta-feira, determinou a busca e apreensão de munição, computadores, passaporte, tablets, celulares e outros dispositivos eletrônicos dos envolvidos na Operação Venire. Ela investiga a fraude em documentos de vacinação. O do ex-presidente Jair Bolsonaro é um deles.

Quando deflagrada, a operação ganhou enorme espaço na imprensa. Entre os itens questionados, estava o significado de venire. Consultados, os dicionários Aurélio e Houaiss não falam no assunto. A razão: a palavra é latina. Quer dizer vir.

Princípio

A Polícia Federal se inspirou no princípio do direito Venire Contra Factum Proprium. Ele proíbe o comportamento contraditório, inesperado, que causa surpresa na outra parte (não apenas nela). Em outras palavras: veda ao autor o direito de voltar-se contra os próprios atos porque ninguém pode ser vítima de si mesmo.

 

Como é?

Regina Saboya tem um amigo alemão muito curioso. Ele se interessa pelos detalhes da língua. Embora fale muito bem o português, pintam dúvidas no dia a dia do país adotado. A mais recente: a que se refere o possessivo sua na expressão “fique na sua”. Ele pergunta: na sua o quê?

A língua joga no time do menor esforço. Ela aposta no menos é mais. Se a gente pode dar o recado com três palavras, não vale usar quatro. É o caso: fique na sua opinião, fique na sua história, fique na sua vida, fique na sua certeza. Ele ficou na (certeza) dele. Ela ficou na (opinião) dela.

História portuguesa

“Quando era pequeno numa aldeia em Portugal”, escreve Manuel Francisco “eu morava na casa do lajal. O local tinha muitas rochas relativamente planas (tipo laje). Agora resolveram colocar placas nos caminhos (ruas). O meu se chama Caminho do Lageal. É isso mesmo, Lageal com g?”

As palavras têm pai e mãe. As primitivas dão origem às derivadas. É o caso de laje. Os filhotes da dissílaba mantêm o j: lajeado, lajeadense, lajear, lajedense, lajedo, lajeal. Por que os portugueses escreveram Lageal? Será nome de alguma personalidade local? Não tenho a resposta.

Por falar em família…

Com x ou ch? S ou z? As dúvidas são muitas. As respostas, escassas. Há poucas regras de grafia. A escrita correta do vocábulo é fruto muito mais de fixação da forma que de memorização de regras. Escrevemos hospital com h não por conhecer a etimologia da palavra ou por termos estudado norma especial. Mas por a vermos grafada dessa maneira.

Por isso, quem lê regularmente escreve os vocábulos do jeitinho que o dicionário manda. Na dúvida, o pai de todos nós socorre. Bem-vindo, Aurélio. Bem-vindo, Houaiss. Bem-vindo Michaelis. Às vezes, porém, a dúvida bate, mas não há dicionário por perto. O que fazer? O jeito é rezar para que as poucas regras existentes quebrem o galho.

Senhora família

Uma delas, pra lá de produtiva, vale ouro. Trata-se da todo-poderosa família. “Tal pai, tal filho”, prega ela. Em bom português: as palavras derivadas seguem a primitiva. Umas e outras mantêm a grafia original sem tossir nem mugir:

trás, atrás, traseiro, atraso, atrasar, atrasado

casa, casinha, casebre, casarão, caseiro, casamento, acasalar

gás, gasolina, gasoduto, gasoso, gaseificado

cruz, cruzar, cruzinha, cruzada, cruzeiro

exame, examinho, examinador, examinar, examinado

Origem

As palavras, como as pessoas, não são todas santas. Entre elas, existem as que pulam o muro. Formam, então, duas famílias. Uma erudita, vinda lá do latim. A outra popular, nascida depois que a língua-mãe se transformou em português. Sobram exemplos de useiros e vezeiros da prática da duplicidade.

Num caso e noutro, a família canta de galo. Se o nobre faz filhos, a criança terá sangue azul. Se o plebeu gerar meninos e meninas, a moçada não negará a raça. Sangue vermelho lhe correrá pelas veias. Veja o exemplo do clã adocicado. Doce, docinho, docemente, adocicar, adocicado, dócil, docilidade são gente como a gente. Dulcificar, dulcificação, dulcificante, dulcífico, dulcíssimo, dulcíssono exibem cetros e coroas.

Moral da história

Na língua impera a democracia. A lei da família vale pra todos.

Leitor pergunta

Qual o plural de força-tarefa?

Célio Alberto, Rio

A duplinha tem dois plurais: forças-tarefa e forças-tarefas.

     Dad Squarisi

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Luiz Portella
7 de maio de 2023 11:26

Excelente texto! porque sera que na epoca em que estudei os professores de portuges, nunca tiveram esse tipo de abordagem: palavras que derivam da palavram mãe segue a grafia desta, teriam sido bem mais fácil aprender e fixar!

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