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Colunistas As facções do crime e o terrorismo

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A classificação do Comando Vermelho e do PCC, as maiores facções criminosas do país, em organizações terroristas, é um momento reluzente de estupidez. Só podia ter origem no governo de Donald Trump, esse homem inqualificável, intratável e intragável.

E tanto mais estúpido quanto o fato de que Trump atendeu a um pedido de brasileiros para que assim procedesse. À frente, esse monumento de mediocridade e oportunismo que atende pelo nome de Flávio Bolsonaro.

É aceitável que se faça um combate duro ao governo Lula: não faltam bons motivos e argumentos. Mas um brasileiro tomar um avião, descer em Washington, beijar a mão do presidente americano e solicitar-lhe a medida – de canetada transformar organizações criminosas abomináveis em organizações terroristas – é um ultraje à Pátria.

Ainda mais vindo de gente que se diz patriota. Então patriotismo é isso, pedir auxílio – quase disse pedir penico – a um governante estrangeiro para resolver um problema que é inteiramente nosso? Patriotismo é confessar nossa incapacidade, nossa covardia de enfrentar a bandidagem?

E logo de quem! De gente que o tempo todo bate duro na leniência – a suposta e a verdadeira – do governo Lula em relação à criminalidade de todas os tipos penais.

Até seria razoável se eles – o bolsonarismo, a direita – não tivessem governado o país durante quatro anos: como em todas as demais áreas, na segurança pública foi uma nulidade. Manteria as aparências, ao menos, ir a Washington fazer o pedido esdrúxulo, se não estivessem eles no poder na maioria das unidades da federação, se não pudessem eles dispor de todos os meios para conter a sanha criminosa, que nos assombra e amedronta.

Seria razoável, não fosse o Rio de Janeiro o domicílio eleitoral deles, onde fizeram carreira, onde o crime deita e rola, controla e faz o papel do Estado em territórios inteiros, onde a polícia é recebida a bala. Faria algum sentido, se Flávio Bolsonaro não fosse senador do Rio, e seu irmão Carlos, não fosse vereador da cidade. É o que nos oferecem para solucionar o problema da segurança da população, pedir a benção e as mercês do governante que todos os dias precisa dar uma demonstração de desequilíbrio?

Logo eles, tão identificados com as milícias do mesmo Rio de Janeiro, organizações essas que transitam exatamente entre facções criminosas e certos métodos do terrorismo, como se viu no caso da vereadora Marielle Franco.

Talvez não seja o caso de tamanha indignação. O governo Trump já declarou terroristas seis organizações de traficantes do México, uma da Venezuela e uma de San Salvador. Essas soluções fáceis e erradas, em todos os quadrantes, logo são vendidas a preços módicos e adotadas para as situações mais prosaicas.

Só uma coisa é certa: não vai funcionar. Os Estados Unidos têm agências especializadas, programas especiais, fartura de recursos, equipamentos de ponta, anos e anos de experiência, e continua sendo o maior consumidor de drogas do mundo.

Requer anos de estudo da estupidez, em todas as suas vertentes, para concluir que, agora sim e finalmente, venceremos a guerra contra as facções criminosas.

(titoguarniere@terra.com.br)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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