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Política Ordem dos Advogados do Brasil reage à convocação de advogada de Bolsonaro pela CPI da Covid

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Advogados de Karina classificaram a convocação como uma “tentativa de constrangimento”. (Foto: Reprodução/Facebook)

Após a advogada Karina Kufa, defensora do presidente Jair Bolsonaro, ser convocada a depor na CPI da Covid, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) classificou como “inequívoca violação das prerrogativas da advocacia” e “tentativa inaceitável de criminalização da profissão” a eventual aprovação de requisições para que defensores deponham sobre fatos que eles tiveram conhecimento através do ofício.

A entidade ressaltou que o sigilo profissional legal do advogado não pode ser “relativizado ou colocado em segundo plano”, uma vez que se configura como uma “garantia em prol do cidadão, para assegurar o estado de direito, bem como para evitar que a defesa se transmude em acusação”.

“Nas situações que existirem advogados exercendo regularmente sua profissão, independente da parte que ele defenda ou da sua posição processual, estará a Ordem dos Advogados do Brasil atuando na preservação de suas garantias profissionais, e reagirá energicamente sempre em defesa dos seus inscritos”, registrou em nota a Procuradoria Nacional de Defesa das Prerrogativas da OAB.

Os advogados de Karina haviam reagido na mesma linha, classificando a convocação como uma “tentativa de constrangimento” em razão de seus clientes.

Após seu nome ser citado durante sessão marcada pelo depoimento do empresário José Ricardo Santana, a própria advogada reagiu. Na ocasião, foi levantado que ela teria dado um jantar em que Santana teria conhecido o lobista Marconny Ribeiro. Juntos, Ribeiro e Santana enviaram ao Ministério da Saúde um “passo a passo” de como fraudar licitações.

O diálogo é proveniente de requerimento do senador Ciro Nogueira, feito no início da CPI, e foi enviado por Marconny alguns dias após o jantar do dia 23 de maio, na casa de Karina – o evento onde supostamente o advogado lobista, e José Santana, ex-secretário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se conheceram. Fora de contexto, o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (REDE-AP), explicou, posteriormente a origem da mídia.

A CPI quer entender qual é a sua relação com Marconny Albernaz e José Santana, já que há evidências de que ela os apresentou. Outra frente da investigação é se houve benefício na intermediação para a advogada. Karina Kufa já declarou que “não pretende fazer grandes revelações aos senadores”.

Depoimento

O depoimento da advogada Karina Kufa na CPI da Covid será no dia 16. A convocação foi aprovada por solicitação do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A advogada será defendida pela colega Luciana Pires, que advoga também para o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). A banca que cuidará dos interesses de Karina Kufa conta ainda André Callegari e Ariel Weber.

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