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Colunistas Os 400 anos das Missões Jesuíticas e a lenda Sepé Tiaraju

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Em 2026, as Missões Jesuíticas completam 400 anos de história e cultura, haverá uma série de comemorações em toda a região missioneira do nosso Estado. (Foto: Fellipe Abreu/Divulgação Iecine)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Em 2026, as Missões Jesuíticas completam 400 anos de história e cultura, haverá uma série de comemorações em toda a região missioneira do nosso estado e, por certo, em outros também. O turismo nessa região cresce a cada ano!

Foi em 1626 a fundação da primeira, o padre Roque Gonzales junto a outros missionários criaram a Redução de São Nicolau do Piratini, onde hoje é o município de São Nicolau, no noroeste do RS.

Tudo começou na Europa, com a Reforma Religiosa promovida pelo padre católico e professor universitário Martinho Lutero, que descontente com os abusos que a Igreja Católica cometia na época, resolveu contestá-la e foi excomungado, ou seja, foi expulso da igreja, assim ele criou a primeira Igreja Protestante, a “Igreja Luterana”.

Para contrapor a expansão dos protestantes a igreja católica deu início a “contrarreforma”, que entre outras ações, criou a “Companhia de Jesus”, que eram comitivas de religiosos que iriam espalhar-se em várias regiões do mundo, com a finalidade de catequizar outros povos, para aumentar o quadro de fiéis da congregação. Obviamente a Igreja Católica não se importava com a cultura religiosa dos povos abordados por eles, inclusive os consideravam primitivos, sem cultura e passivos de serem catequizados. Fica a reflexão!

Dessa forma alguns grupos de missionários chegaram à América do Sul, no Brasil e ao Rio Grande do Sul, dando origem às “Missões Jesuíticas”, também conhecidas aqui no estado como, “Os Sete Povos das Missões”: São Francisco de Borja, São Luiz Gonzaga, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista e Santo Ângelo Custódio.

O Brasil tem o hábito de esquecer seus heróis e seus feitos na história, mas no caso de Sepé Tiaraju, líder indígena nas guerras guaraníticas, de 1750 a 1756, século XVIII, nas Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul, acredito que foi diferente.

As Missões Jesuíticas, depois de séculos de desenvolvimento, estruturação social e cultural, passaram a ser um “problema” para os governos de Portugal e Espanha que decidiram acabar com essas sociedades, então os conflitos iniciaram e ficaram conhecidas como: “Guerras Guaraníticas”.

Surgiu então a figura lendária de Sepé Tiaraju, um líder indígena muito culto, sabia ler e escrever, além do guarani também falava português e espanhol, era uma grande liderança na missão de “São Miguel Arcanjo”.

As batalhas continuavam, sempre com muitas baixas dos indígenas, dado ao fato de lutarem com poucas armas, arcos, flechas e lanças, contra as armas de fogo dos europeus e seus exércitos treinados.

No dia 2 de fevereiro de 1756, na região onde hoje é o município de São Gabriel, Sepé Tiaraju foi perseguido por soldados inimigos, seu cavalo tombou e ele foi atacado, ferido e preso, após cinco dias de cárcere e torturas, Sepé foi morto, três dias depois, a última batalha aconteceu e mais de 1500 indígenas, inclusive muitos padres jesuítas, foram massacrados pelos exércitos de Portugal e Espanha e as Missões foram destruídas, restando até hoje apenas as ruínas das igrejas e monumentos.

Em 2018, por solicitação de um grupo de fiéis da arquidiocese de Bagé, no RS, o Vaticano autorizou o processo de santificação de Sepé Tiaraju, que, quando concluído, será o primeiro indígena brasileiro a tornar-se santo da Igreja Católica.

Sepé Tiaraju proferiu uma célebre frase que marcou sua história: “Co yvy ogureco yara”. (esta terra tem dono).

Com a crença católica que a terra foi lhes dada por Deus e São Miguel, defendeu-a até a morte, tornando-se um símbolo de amor a sua terra e sua cultura, por certo, seguimos o legado de Sepé, pois assim como ele, nós gaúchos também temos orgulho da nossa terra, história, cultura e das nossas tradições.

Para o povo missioneiro, em geral, Sepé já é um santo, mas oficialmente ainda é necessário a decisão final do Vaticano, mas também é importante citar as duas leis que reconhecem Sepé como herói em nosso país:

A lei estadual n° 12.366, declara Sepé Tiaraju como: “Herói guarani missioneiro rio-grandense”.

A lei federal 12.032/09, declara Sepé como: “Herói da Pátria brasileira”.

Acredito que Sepé Tiaraju, nesta data dos 270 anos de sua morte, está devidamente homenageado pelo povo e pelos governos, mas seguimos aguardando o Vaticano! Que todos os procedimentos e comprovações, conforme a Igreja Católica, aconteçam brevemente, dessa forma, Sepé Tiaraju será declarado santo.

“Co yvy ogureco yara” (“Esta terra tem dono”)

* Prof. Luís Eduardo Souza Fraga – historiador e escritor (fragaluiseduardo@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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