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Geral Os alertas não foram suficientes para evitar a catástrofe em São Paulo

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Chuvas castigaram o Estado nesta semana. (Foto: Prefeitura de São Sebastião/Divulgação)

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu, na manhã do último dia 17, um alerta de fortes chuvas no Sudeste. Na mesma data, o órgão federal realizou uma reunião com as defesas civis de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais sobre a necessidade de os Estados e municípios se prepararem com antecedência para eventuais tragédias provocadas por precipitações de cerca de 200 milímetros.

No dia seguinte, sábado (19), o órgão federal enviou novos alertas, ainda mais específicos, prevendo grande quantidade de chuva entre Santos e Ubatuba, no litoral de São Paulo.

Segundo a última contabilidade da tragédia, divulgada pelo governo estadual, as enchentes provocaram 59 mortes. Por que os alertas não foram levados a sério, como se deveria? “Não posso falar em falha nos recebimentos dos alertas. As mortes podem ter ocorrido por combinação de fatores, como a grande circulação de pessoas no Carnaval e o fato de São Sebastião ser muito extenso. Em dias normais, de ponta a ponta, o percurso pode levar uma hora, o que dificulta a ida de socorro imediatamente”, afirma Marcelo Seluchi, coordenador geral de operações do Cemaden.

Outra dificuldade para a remoção de pessoas em áreas de risco, que são mapeadas, é a rejeição das pessoas em sair de suas casas. Na quarta-feira, 22, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse que entrou na Justiça para que seja autorizado a tirar moradores de áreas de risco, após tentativas amigáveis.

A justiça de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, concedeu uma liminar para que famílias que vivem em áreas de risco sejam levadas para abrigos.

A decisão do juiz Paulo Guilherme de Faria atende as regiões de Boiçucanga, Juquehy, Cambury, Barra do Sahy, Maresias, Paúba, Toque Toque Pequeno, Barra do Una, Barequeçaba, Varadouro, Itatinga, Olaria, Topolândia, Morro do Abrigo, Enseada, Jaraguá, entre outras áreas de risco.

“Convém alertar que o direito a moradia não pode superar os direitos à vida, à saúde e à segurança”, afirma o magistrado em trecho da decisão.

“As pessoas acham que podem ser roubadas e não saem. Em Recife, no ano passado, vimos a mesma situação”, diz Seluchi.

Para os próximos anos, o pesquisador e coordenador do Cemaden afirma que as cidades paulistas precisarão investir em sirenes, como ocorre em municípios a exemplo de Petrópolis, no Rio de Janeiro. “Os planos de contingência precisam ser atualizados. Mas Petrópolis tem áreas de risco mais concentradas, o que não é o caso das cidades do litoral norte paulista. Algo tem que ser feitos nesses locais”.

O governador Tarcísio de Freitas se reuniu com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e ministros neste sábado (25), em São Sebastião, no Litoral Norte do Estado.

No encontro, foram debatidas propostas para a adoção de medidas de prevenção a desastres naturais e soluções habitacionais para as vítimas das chuvas.

“Pedimos ao governo federal para disponibilizar parte dos apartamentos que ficaram prontos em Bertioga para pessoas aqui de São Sebastião. Nós temos lá recursos do Casa Paulista e o terreno foi cedido pelo Estado. São 1.500 unidades prontas e estamos buscando destinar uma parte, de 200 a 250 apartamentos, para pessoas aqui de São Sebastião”, destacou o governador Tarcísio de Freitas.

Ambos visitaram as instalações do Navio Atlântico da Marinha Brasileira, atracado no porto de São Sebastião para dar suporte às equipes em atuação no município. Mais de mil pessoas entre policiais militares, bombeiros, técnicos da defesa civil e militares do Exército Brasileiro e da Marinha Brasileira continuam trabalhando na região. As informações são da revista Veja e do governo de São Paulo.

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