Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de maio de 2018
A reunião entre o governo federal, de São Paulo e representantes dos caminhoneiros no domingo (27) não levou ao fim da paralisação porque os grevistas consideraram insuficiente o tempo de redução nos preços do diesel oferecido. Eles queriam 60 dias e o presidente da República, Michel Temer (MDB), não se comprometeu com este prazo, defendendo os reajustes mensais. Não foi fixado um prazo para término da paralisação.
O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que o desconto no diesel até aumentaria dos anunciados 41 para 46 centavos. A proposta nem chegou a ser repassada para os caminhoneiros que já haviam deixado o Palácio dos Bandeirantes. Mas a ideia não agrada e 10% da categoria continua mobilizada no estado de São Paulo. Até sábado (26), eram 13 mil trabalhadores parados e domingo (27) eram 1,3 mil. Há 30 pontos de manifestação ao longo das principais rodovias que passam pelo estado.
O governador Márcio França (PSB) disse, em entrevista após a reunião, que as outras duas reivindicações foram atendidas: não cobrar o eixo levantado e fazer o desconto nas refinarias chegar às bombas. Ocorre que o preço do combustível é a principal demanda dos grevistas. A continuação da greve coloca pressão sobre o Congresso Nacional. Senado e Câmara Federal têm na pauta projetos que podem reduzir o preço dos combustíveis seja via redução de impostos e outro cria um preço mínimo para o frete.
O governador Márcio França sugeriu que a aprovação colocaria fim aos movimentos. Ele declarou que torce para que haja um acordo entre os parlamentares e a greve se encerre nos próximos dias. No entanto, como a paralisação persiste, o fim da cobrança do pedágio por eixo suspenso só entrará em vigor na quinta-feira (31) em São Paulo. O governo federal informou que vai editar uma medida provisória para federalizar o desconto.
O governador afirmou que acredita estar próximo a um acordo e disse que faltou somente garantir o desconto no preço do diesel por 60 dias. “Vou tentar falar (domingo) com o presidente e saber por que não é possível 60 dias. Mas compreendo que às vezes querem fazer e não é possível.” França também negou que sua intermediação na greve esteja desagradando o governo federal. Argumentou que todos os envolvidos nas negociações são “políticos experientes” e entendem que a manutenção da situação prejudica a todos. As negociações continuam nos próximos dias.
O governador chegou a dar uma declaração de apoio aos caminhoneiros, ao dizer que, na ponta do lápis, os profissionais não conseguem, hoje, ter o mínimo de lucro. “Nenhuma manifestação dura tanto tempo se não houver um fundamento muito forte”, disse.
Esta é a segunda tentativa de acordo do governo de São Paulo com os grevistas. No sábado, França anunciou uma série de medidas para tentar agradar aos caminhoneiros e encerrar a paralisação. No entanto, as condições do governo de SP não foram aceitas e as manifestações continuaram nas rodovias do estado, principalmente na Régis Bittencourt. Em várias cidades pelo país, aeroportos continuam sem querosene e os problemas de abastecimento de insumos persistem.
Os comentários estão desativados.