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Brasil Os delatores da JBS/Friboi dizem em nova gravação que a Procuradoria-Geral da República queria acabar com o PMDB

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O acordo de delação dos empresários foi suspenso pelo STF. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Prestes a fechar o acordo de delação premiada que lhe rendeu imunidade penal, Joesley Batista entrou no carro entusiasmado com a negociação com os procuradores da PGR (Procuradoria-Geral da República). Pretendia amanhecer o dia seguinte em Nova York. O ânimo do empresário está registrado em uma conversa resgatada do gravador do sócio da JBS, divulgada nessa sexta-feira pela revista Veja.

O áudio sugere que ele havia acabado de entregar as gravações que fez do presidente Michel Temer (PMDB) e do senador Aécio Neves (PSDB). Nessa nova peça, Joesley está no carro, a caminho do aeroporto, conversando com os advogados Fernanda Tórtima e Francisco de Assis e Silva e o executivo Ricardo Saud. Os três avaliam a reação dos procuradores (“eles gostaram, querem evitar o máximo mostrar que gostaram, mas a pressa deles mostra”, diz Tórtima; “eles gostaram pra cacete”, opina Silva), especulam sobre o futuro e os efeitos da “bomba” que tinham acabado de soltar. Também sugerem ter mais gravações, além das feitas por Joesley, que escolheram ocultar dos investigadores.

Não contava que viriam a público os registros que iriam comprometer os benefícios legais, como a imunidade penal, que acordaram com a Justiça. O acordo de delação dos empresários foi suspenso pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no início de setembro. Joesley e seu irmão, Wesley Batista, estão presos na carceragem da PF (Polícia Federal) em São Paulo.

Veja, abaixo, os principais temas abordados no diálogo.

“Agora eu vou para Nova York. Vou amanhecer em Nova York. Eu vou ficar aqui, você tá louca? Soltar uma bomba dessas e ficar aqui fazendo o quê?”. Tórtima concorda que sair do País seria a melhor opção para o empresário. “Para eles, é bom que você se empirulite [sic] do Brasil. Se for para dar imunidade, é melhor que você fique fora. Você longe daqui, sumindo, as pessoas esquecem que você ganhou imunidade”, opina a advogada. Os efeitos dessa “bomba”, explicou Joesley, começariam com o operador Lúcio Funaro, que acabaria fechando seu próprio acordo de delação premiada. “O que eu vou provocar, além de tudo? Uma: quem gravou. Não é que foi o garçom que gravou, porra. Foi o maior empresário brasileiro, 11h da noite e tal”, diz o empresário.

Ele se refere à conversa noturna em que gravou Michel Temer, no Palácio do Jaburu. “O segundo é o seguinte: quando isso explodir, vai quebrar a aliança Eduardo Cunha e Lúcio [Funaro]. Vamos parar de pagar o Lúcio”, continua Joesley. Na conversa com o presidente, ele sugere que mantinha pagamentos a Cunha e Funaro, ao que o peemedebista responde “tem que manter isso aí”.

Em outro áudio, também divulgado pela “Veja”, Joesley Batista fala sobre como enxerga a “onda” de delações: “Começou os operadores, depois os empresários, agora os políticos. Depois dos políticos, não sei quem vai delatar. Vai ser o Judiciário”.

Ainda animado com a perspectiva de acordo com a PGR, o empresário citou a possibilidade de anulação dos benefícios conquistados pela delação – o que acabou acontecendo. Ele falava sobre a necessidade de tomar cuidado para não mencionar assuntos e pessoas – que poderiam vir a delatar – além do material que apresentavam ali aos procuradores. Em outra gravação, também divulgada nesta leva, o empresário defende a delação como alternativa para quem está comprometido com a Justiça.

Ainda especulando se Rodrigo Janot aceitaria ou não o acordo de delação premiada, o empresário conversa com seus advogados sobre as relações políticas do ex-procurador-geral da República. “Nós temos um risco. O risco é um: o comprometimento político de Janot com Temer”, diz advogado Francisco de Assis e Silva.

“Eu acho que não existe… Pra mim, Janot quer ser o presidente da República… ou indicar quem vai ser”, responde Joesley. Silva diz notar uma disposição dos procuradores em temas ligados ao PMDB. “Eles querem foder o PMDB, eles querem acabar com eles”, diz o advogado.

 

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