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Mundo Os Estados Unidos e Irã: o que se sabe sobre a escalada de tensão entre os países

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(Foto: Molly Riley/The White House)

A tensão entre Estados Unidos e Irã escalou significativamente nas últimas semanas, após o presidente americano Donald Trump intensificar as ameaças contra o país, sugerindo a possibilidade de um ataque militar caso Teerã não concorde com exigências sobre o programa nuclear.

Trump enviou o porta-aviões Abraham Lincoln, acompanhado de navios de guerra, bombardeiros e caças para a região do Golfo Pérsico, posicionando-os estrategicamente em distância que permitiria atingir alvos no território iraniano.

Entre as principais exigências de Trump estão a completa interrupção do programa nuclear iraniano e o fim da repressão aos protestos que ocorreram no final do ano passado e início deste ano.

Em resposta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país responderá a qualquer agressão americana, enquanto o ministro de Relações Exteriores, Abbas Araghch, declarou que o Irã está disposto a retomar negociações nucleares, desde que Trump cesse as ameaças de ataque.

Poderio nuclear

De acordo com Carlos Gustavo Poggio, professor de Relações Internacionais do Berea College, o programa nuclear iraniano possui avanços consideráveis do ponto de vista técnico, mas enfrenta desafios significativos.

“O Irã tem bastante avanço no ponto de vista do conhecimento técnico. Não há dúvidas que o que aconteceu com o ataque americano e toda a guerra que houve com Israel atrasou bastante esse desenvolvimento”, explica o especialista.

Um dos principais problemas para avaliar o real estágio do programa nuclear iraniano é a falta de transparência, especialmente após o país expulsar os observadores internacionais das instalações nucleares de Teerã.

A situação foi agravada pelos ataques americanos do ano passado, que segundo Poggio, podem ter produzido o efeito contrário ao desejado:

“A tendência é justamente tornar esses desenvolvimentos ainda mais escondidos, ou seja, empurra ainda mais para o subsolo e deixa qualquer desenvolvimento muito menos visível”.

Estratégia

O especialista destaca que a abordagem de Donald Trump, baseada principalmente na coerção e ameaças militares em vez de negociações diplomáticas, pode ser contraproducente.

“Quando você se fia muito nessa arma de coerção, a coerção tende a gerar um movimento imediato, ela pode eventualmente gerar algum tipo de concessão no curto prazo, mas ela não resolve a questão no longo prazo, porque você tem que manter essa coerção indefinidamente”, analisa Poggio.

Outro ponto crítico levantado pelo professor é o enfraquecimento das instituições internacionais promovido por Trump, que recentemente retirou os Estados Unidos de mais de 60 organizações da ONU.

“Instituições internacionais são muito importantes, notadamente, para esse tipo de negociação. Você precisa de observadores neutros, que são considerados dentro dessas instituições internacionais, para você poder verificar como está o progresso do sistema nuclear”, destaca.

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