Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de maio de 2020
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou neste domingo (24) que os Estados Unidos vão doar mil respiradores ao Brasil. A declaração de Araújo aconteceu em meio à expectativa de que os EUA anunciassem, também neste domingo, a proibição da entrada de viajantes brasileiros, como havia antecipado mais cedo o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca e foi depois confirmado por um decreto de Donald Trump.
“Em conversa hoje com representantes da Casa Branca, dentro da ótima cooperação Brasil-EUA no combate ao Covid-19, recebi a notícia de que o presidente Donald Trump determinou a doação de 1.000 respiradores ao Brasil. Parceria produtiva entre duas grandes democracias”, disse o chanceler em uma rede social.
Os EUA ainda não forneceram o equipamento ao governo brasileiro nem foi comunicado quando o farão. Procurado, o Itamaraty não se manifestou sobre os respiradores.
Descontrole no Brasil
O presidente norte-americano, Donald Trump, várias vezes manifestou preocupação com o descontrole da pandemia no Brasil. Na última terça-feira, ele disse, pela terceira vez, que estava considerando impor uma proibição de viagens para passageiros provenientes do Brasil, e que considerava ajudar o país.
“Não quero pessoas vindo para cá e infectando nosso povo. Também não quero que as pessoas fiquem doentes por lá. Estamos ajudando o Brasil com respiradores. O Brasil está tendo problemas, não há dúvida sobre isso”, afirmou Trump.
Neste domingo, o conselheiro de Segurança Nacional Robert O’Brien afirmou ao programa “Face the Nation”, da rede de TV CBS, acreditar que haveria uma decisão hoje sobre suspender a entrada de viajantes que chegam do Brasil.
“Esperamos que seja temporário, mas, devido à situação no Brasil, tomaremos todas as medidas necessárias para proteger o povo americano”, disse O’Brien, acrescentando que os brasileiros estão “passando por um mau momento”.
Desde o começo do governo Bolsonaro, o Brasil mudou bruscamente a condução de mais de 40 anos de sua política externa, alinhando-se a Washington e ao governo Trump em um nível sem precedentes.
O nível da aproximação é muito criticado por observadores da política externa brasileira, que entendem que a intensidade da proximidade deteriora a autonomia nacional e a submete ao interesse de uma grande potência estrangeira.
O anúncio da doação dos respiradores pode atenuar críticas pela restrição de entrada de brasileiros.
Os voos entre Brasil e EUA já foram bastante reduzidos por causa da pandemia. Há atualmente só nove voos em operação por semana entre o Brasil e os EUA – todos saindo do Estado de São Paulo. As informações são do jornal O Globo.
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