Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de abril de 2019
A redução das despesas de brasileiros em viagens ao exterior ajudou a reduzir a diferença entre entradas e saídas de recursos do País. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo BC (Banco Central), esses turistas gastaram US$ 1,325 bilhão no mês passado, uma queda de 13% em relação a março do ano passado. Esse foi um dos fatores que explicaram a redução do chamado déficit de transações correntes, que ficou em US$ 494 milhões no ano passado, uma redução 25% frente aos US$ 666 milhões em igual mês do ano passado. As informações são do jornal O Globo e da Agência Brasil.
As despesas com turismo fazem parte do que o BC chama de conta “serviços”, que inclui ainda aluguel de equipamentos e serviços financeiros. Esse grupo de receitas e despesas registrou déficit de US$ 2,1 bilhões em março, menor que os US$ 2,8 bilhões apurados em março de 2018.
“Essa redução se concentrou em três contas: aluguel de equipamentos, viagens e transporte. Isso respondeu por 40% do total dessa queda”, explicou Fernando Lemos, chefe adjunto do departamento de estatísticas do BC, que destacou que essa é a sétima queda seguida do déficit nas transações correntes, na comparação com mesmo mês do ano anterior.
De acordo com o comunicado do BC, houve retração nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, de U$1,3 bilhão para US$1,1 bilhão, influenciado em parte pelo processo de nacionalização de plataformas de petróleo; de viagens, de US$980 milhões para US$758 milhões; e de transportes, de US$489 milhões para US$354 milhões.
Mercado de câmbio
Com o dólar beirando os R$ 4, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Bruno Serra, disse nesta quinta-feira (25) que a autarquia pode intervir de forma mais eficiente no mercado de câmbio.
“É importante registrar que não temos qualquer preconceito em relação à utilização de qualquer instrumento, quando e se as condições para tal estiverem presentes. Entender o ambiente econômico em que estamos inseridos e, quando necessária, buscar a forma mais eficiente de intervenção, é dever do Banco Central”, disse em evento organizado pela Associação Brasileira de Câmbio (Abracam), em São Paulo.
“Sem prejuízo do regime de câmbio flutuante, o BC atua no mercado local de câmbio caso identifique alguma anomalia em seu regular funcionamento”, acrescentou.
Ele lembrou que, atualmente, o Banco Central tem à disposição como instrumentos de intervenção os swaps cambiais, instrumento que oferta hedge [proteção] cambial sem impactar a liquidez [recursos disponíveis] do sistema bancário; a oferta de linhas em dólar, utilizado para diminuir o custo de empréstimos em dólares no mercado local, sem impacto direto sobre a taxa de câmbio; e os leilões de spot [mercado à vista], que é uma combinação dos dois instrumentos anteriores, por impactar tanto o preço da taxa de câmbio quanto a liquidez do sistema bancário.
“Esse instrumento [leilão de spot] vem sendo pouco usado no Brasil em função do desenvolvimento do nosso mercado de câmbio, especialmente de derivativos com liquidação em contraparte central”, destacou.
O diretor ressaltou que o “colchão de reservas [internacionais] e as características dos instrumentos que temos disponíveis, em especial a oferta de linhas, nos dão bastante espaço para atuar neste mercado, de forma a atenuar os efeitos da maior escassez de liquidez em dólares no mercado local”.
Serra disse que o estoque de US$ 380 bilhões em reservas internacionais, mesmo quando avaliado conjuntamente com os quase US$ 70 bilhões vendidos em swaps cambiais, tem se mostrado um seguro adequado.
“Esse ativo tem sido usado para suavizar os impactos de eventual deterioração na liquidez internacional sobre a economia brasileira, e também serve como força contracíclica em momentos de estresse econômico mais agudo, como nas crises de 2008 e 2015”, destacou.
Ele disse que o benefício desse seguro em termos da estabilidade da economia nacional não pode ser medido apenas financeiramente. “Dificilmente os investidores nos dariam tanto tempo para endereçar nosso problema fiscal se não tivéssemos esta posição liquidamente credora em dólares no balanço do setor público”, ressaltou.
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