Domingo, 17 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de março de 2018
O dia 6 de fevereiro de 1994 entrou para a história do Santos – e também, por que não, do esporte nacional… Edson Cholbi Nascimento, o Edinho, filho do maior jogador da história, fez sua primeira partida como goleiro do time em que o pai brilhou ao redor do mundo. A torcida santista, que antes se remoía ao ouvir de seus rivais que “Pelé parou, o Santos acabou”, abraçou a zoeira: “Pelé parou, Edinho começou”.
A presença do DNA do Rei em campo era a esperança de novos tempos na Vila Belmiro. Edinho passou perto disso. Convivendo com a pressão de ser filho de quem era, foi vice-campeão brasileiro em 1995. Saiu três anos depois, com 195 partidas pelo clube no currículo. Jogou ainda por Ponte Preta, Portuguesa Santista e São Caetano antes fechar uma carreira marcada muito mais por pressão do que por títulos.
Após Edinho, outros três descendentes de Pelé tentaram (ou seguem tentando) a sorte no futebol: o filho Joshua e os netos Octávio e Gabriel.
Octávio e Gabriel
Pelé estava de passagem por Curitiba quando foi surpreendido pela presença dos irmãos Octávio Felinto Neto e Gabriel Arantes do Nascimento no hotel onde estava hospedado. No primeiro encontro, no saguão do local, o avô foi simpático, abraçou e brincou com cada um deles. Disse que gostaria de vê-los mais vezes – de acordo com a lembrança dos meninos. Não foi o que aconteceu. Eles só se viram aquela vez. Era 2009 e os meninos tinham 11 e 9 anos de idade.
A relação distante com os netos, hoje com 19 e 17 anos, é fruto da desgastante batalha judicial entre Pelé e Sandra Regina, a mãe da dupla, reconhecida depois de um exame de DNA. Sandra morreu em 2006, dez anos após o reconhecimento, sem jamais ter convivido com o pai biológico.
“Ultimamente há um vínculo mais legal. O Pelé mandou um áudio ao Octávio depois de uma lesão, falou com o Gabriel também, por telefone. Existe uma abertura, talvez pelo fato de a pessoa, pela idade, ficar mais sensível [Pelé tem 77 anos], e os meninos também estão mais dispostos a se comunicar com ele”, conta Ozéas Felinto, o pai, responsável pela promoção do único encontro.
Octávio, o mais velho, foi quem puxou a fila de uma carreira no futebol para os netos de Pelé. Depois que um vídeo com lances bonitos, postado por seu pai, viralizou na internet, o Santos chamou os dois irmãos. A ideia era vestir a camisa do time do avô no futsal, mas a relação não foi adiante. Quando Sandra morreu, o pai levou a família para Curitiba, onde tinha parentes. Octávio e Gabriel também estiveram juntos no Paraná, no São Paulo e no Grêmio Osasco. Não triunfaram.
Octávio rodou: jogou um Campeonato Paulista sub-17 pelo Independente de Limeira, defendeu o Guarani de Divinópolis, ficou no Cruzeiro por um ano e passou pelo Guarani de Campinas. Tudo antes de completar 19 anos. Está fora do futebol há mais de um ano. Sofreu duas lesões consecutivas. Ganhou peso e viu as perspectivas no futebol se esvaziarem. Hoje, canta, toca bateria e conduz grupos de jovens em uma igreja evangélica em Osasco. No começo de 2017, entrou na faculdade de Direito.
Gabriel também está sem contrato. Busca um clube para realizar o sonho de disputar a Copa São Paulo. Depois de Santos, Paraná, São Paulo e Grêmio Osasco, ele conseguiu uma boa sequência de jogos no Taboão da Serra e até jogou um Estadual sub-15.
O filho do Rei e a síndrome de Zoca
Joshua Seixas Arantes do Nascimento é filho de Pelé com Assíria, em casamento que durou 14 anos. Ele a irmã gêmea Celeste são os filhos mais jovens do Rei. Têm 21 anos. Criado entre o Brasil e os EUA, o caçula se aventurou no esporte cedo, aos dez anos, em campeonatos internos do clube social do São Paulo. Quando mudou de país, começou a jogar por um clube chamado Florida Rush e percebeu que futebol era seu plano de vida.
Mas como o filho do Pelé jogaria em algum time que não fosse o Santos? Além do próprio Pelé e de Edinho, Jair Arantes do Nascimento, o Zoca, irmão mais novo do Rei, jogou no Peixe nos anos 60, fez um gol contra o Corinthians, mas sucumbiu ao peso do parentesco. Pendurou as chuteiras precocemente para administrar os negócios milionários de Pelé.
Joshua fez apenas três partidas pelo Santos. Deixou o clube antes de se profissionalizar. Em junho de 2015, após pouco mais de dois anos, pediu para ser liberado e teve o contrato encerrado sem grandes problemas.
Joshua achou melhor mudar de rumo, influenciado pela irmã Celeste – “o crânio da família”. Ela estava prestes a entrar na faculdade de Medicina e o incentivou a fazer testes para a área de Educação Física. Ele fez duas vezes o teste de aprovação, conversou com o técnico do time de soccer e, um mês depois, estava matriculado. Não se arrepende da decisão. Atualmente, jogar e estudar nos Estados Unidos também é o plano dos netos de Pelé, e uma ajudinha do rei viria bem a calhar.
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