Segunda-feira, 11 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de fevereiro de 2018
Proibir ou castigar crianças e adolescentes que escutam músicas com letras que estimulam violência, machismo e abusos é a pior forma de educá-las, segundo especialistas. Mas isso não significa deixar filhos e netos entregues aos próprios fones de ouvidos, sem saber o que andam escutando por aí.
No mês de janeiro, “Só Surubinha de Leve”, do funkeiro MC Diguinho, foi excluída dos serviços que compartilham música na internet sob a acusação de estimular estupro e assédio sexual. A música sugeria embebedar a garota, praticar sexo e deixá-la na rua. Diguinho depois pediu desculpas e refez a letra, mais “leve”.
Mas, sempre demonizado, o funk não é o único estilo com letras “pesadas” a cair no gosto da garotada. Sertanejo, forró e rock também são cantados, muitas vezes sem reflexão, de acordo com especialistas.
“É preciso entrar no universo do filho e trazer cantores com outras informações. O papel do pai não é ser mo- ralista, mas de trazer mais conteúdo. Agora, se ele brigar, proibir e for autoritário, não dará certo. O filho, por ser adolescente, quer o conflito”, diz a psicopedagoga Neide Noffs, da PUC (Pontifícia Universidade Católica).
A especialista diz que os pais devem ensinar aos filhos como sobreviver. “Se o pai não acreditar nos próprios valores, o filho fica à mercê da vida e dos fatos. Se a humanidade colocar para fora todos os instintos, vamos voltar à barbárie”, ressaltou.
Vigilância
Para a doutora Leila Salomão Tardivo, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), é fundamental que pais saibam o que se passa na vida dos filhos, sem que isso tenha “caráter policialesco”. “Se o pai comprou o celular e o fone de ouvido, então deve saber o que o filho está ouvindo. Não de maneira impositiva, mas dentro de uma situação de diálogo, de conversa”, disse Leila.
A psicóloga afirma que os pais podem aproveitar essas situações para mostrar, como contraponto, a importância do amor, dos cuidados com a saúde e de se evitar relações abusivas. “Espero também que seja em uma casa onde o pai respeite a mãe. Vamos imaginar que falamos de uma família saudável”, afirmou
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