Domingo, 03 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de maio de 2026
O envio de áudios pelo WhatsApp já virou parte da rotina de milhões de pessoas. Em muitos casos, é visto como uma forma prática de se comunicar, principalmente quando não dá tempo de digitar. Mas nem todo mundo enxerga essa função da mesma forma. Em alguns países, o recurso é evitado e até causa incômodo, levantando um debate curioso sobre hábitos digitais e diferenças culturais.
Em lugares como a Índia, o México, Hong Kong e os Emirados Árabes Unidos, as mensagens de voz quase se igualam em popularidade às mensagens de texto, como a forma preferida de comunicação eletrônica.
Mas países como o Reino Unido não parecem ter absorvido totalmente a febre das mensagens de voz.
O instituto YouGov divulgou em abril uma pesquisa envolvendo mais de 2,3 mil adultos britânicos.
Ela revelou que as mensagens de voz se popularizaram ligeiramente no último ano, mas apenas 15% dos entrevistados se comunicam por áudio com regularidade (ou seja, várias vezes por semana).
Tanto entre homens quanto mulheres, de todas as faixas etárias, incluindo a geração Z (os nascidos entre 1996 e 2012), as mensagens de voz foram o método de comunicação menos popular entre os britânicos entrevistados.
Anteriormente, o YouGov já havia concluído que o Reino Unido é o país mais reticente em relação às mensagens de voz em um grupo de 17 nações, em sua maioria países ricos.
Dentre os entrevistados, os que preferem enviar mensagens de texto para os seus contatos totalizaram 83%, enquanto apenas 4% se declararam partidários das mensagens de voz.
A pesquisa do YouGov não incluiu o Brasil. Mas, em junho de 2024, o CEO (diretor-executivo) da Meta, Mark Zuckerberg, declarou que “os brasileiros enviam mais figurinhas, participam mais de enquetes e enviam quatro vezes mais mensagens de voz no WhatsApp do que qualquer outro país”.
A Índia é um dos países que mais apreciam as mensagens de voz. A pesquisa de 2024 do YouGov revelou que 48% dos indianos consultados prefere receber mensagens de voz ou gosta de recebê-las tanto quanto as de texto, contra apenas 18% dos britânicos.
A rejeição aos áudios não acontece por acaso. Especialistas apontam que o principal motivo está relacionado à praticidade e ao controle da comunicação.
Mensagens de voz exigem mais atenção do receptor, que precisa parar o que está fazendo para ouvir o conteúdo completo. Diferente do texto, não é possível “bater o olho” rapidamente.
Entre os fatores que explicam essa resistência estão:
– Falta de objetividade, já que muitos áudios são longos;
– Dificuldade de ouvir em locais públicos ou silenciosos;
– Impossibilidade de buscar informações específicas rapidamente;
– Sensação de obrigação de escutar até o fim.
Esses pontos fazem com que muita gente prefira mensagens escritas, que podem ser lidas no próprio ritmo.
Apesar das críticas, estudos indicam que os áudios também têm vantagens importantes. Pesquisas mostram que ouvir a voz de outra pessoa pode fortalecer conexões emocionais.
Um estudo realizado nos Estados Unidos já havia apontado que crianças que ouviam vozes familiares demonstravam reações emocionais mais intensas do que ao ler mensagens.
Além disso, especialistas destacam que a voz transmite nuances que o texto não consegue, como entonação, emoção e intenção.
Isso explica por que aplicativos de mensagens continuam investindo nesse tipo de recurso, mesmo com opiniões divididas.
Outro ponto importante é o impacto da cultura no comportamento digital. Em países multilíngues, como a Índia, os áudios facilitam a comunicação.
Isso acontece porque muitas pessoas falam diferentes idiomas, mas nem sempre dominam a escrita em todos eles. Nesse contexto, falar se torna mais natural do que digitar.
Além disso, a presença de grandes comunidades vivendo no exterior também influencia esse hábito. Para quem está longe da família, ouvir a voz de alguém próximo pode ser mais significativo do que ler uma mensagem.
O uso das mensagens de voz também varia de acordo com a idade. Pessoas mais jovens tendem a utilizar mais o recurso, enquanto outras preferem formatos mais tradicionais.
Mesmo assim, a pesquisa indica que não existe um padrão único. Há pessoas de diferentes faixas etárias com opiniões bem distintas sobre o tema.
Enquanto alguns veem os áudios como uma forma prática e pessoal de comunicação, outros consideram o recurso pouco eficiente no dia a dia.
Esse contraste mostra que, mais do que uma questão tecnológica, o uso das mensagens de voz está diretamente ligado ao estilo de vida e às preferências individuais. As informações são da BBC News.
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