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Saúde Os prós e contras de dormir de costas

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Dormir de costas não é indicado para quem sofre de ronco, apneia do sono ou doenças respiratórias.

Foto: Reprodução
Dormir de costas não é indicado para quem sofre de ronco, apneia do sono ou doenças respiratórias. (Foto: Reprodução)

Ninguém questiona a importância de uma boa noite de sono. Dormir bem é fundamental para o equilíbrio do corpo, da mente e da saúde emocional. No entanto, quando o assunto é a melhor posição para dormir, as opiniões costumam divergir. Deitar de lado, de costas ou de bruços pode parecer apenas uma questão de conforto, mas especialistas alertam que a escolha influencia diretamente a qualidade do sono e até o agravamento de determinadas condições de saúde.

A maioria das pessoas adota uma posição preferida ao dormir, que varia conforme idade, peso, altura, tipo de colchão, travesseiros e até o fato de dividir ou não a cama. Poucos, porém, refletem sobre os impactos dessa escolha no organismo. Segundo John Winkelman, professor de psiquiatria e especialista em medicina do sono da Faculdade de Medicina de Harvard, a posição adotada durante o descanso noturno pode interferir não apenas no sono, mas também em problemas respiratórios, dores musculares e distúrbios digestivos.

Dados da Sleep Foundation indicam que mais de 60% dos adultos dormem de lado, tornando essa a posição mais comum. Dormir de costas aparece em segundo lugar, enquanto a posição de bruços é considerada a menos recomendada, por estar associada a maior risco de dores cervicais e sobrecarga na coluna. Ainda assim, Winkelman ressalta que a maioria das pessoas não permanece na mesma posição durante toda a noite.

“Já analisei milhares de exames de sono, e é raro alguém dormir a noite inteira na mesma posição”, afirma. Segundo ele, o corpo passa por ciclos de sono de aproximadamente 90 minutos, e as mudanças de estágio costumam vir acompanhadas de ajustes posturais.

Entre as posições mais adotadas, dormir de lado é apontado como benéfico para a respiração, pois ajuda a manter as vias aéreas abertas, reduzindo o ronco e os episódios de apneia do sono. Deitar-se sobre o lado esquerdo também pode prevenir o refluxo gastroesofágico, já que dificulta o retorno do ácido estomacal ao esôfago. Além disso, essa posição é recomendada durante a gravidez, pois favorece o fluxo sanguíneo para o útero e reduz o inchaço nas pernas e nos tornozelos.

Por outro lado, dormir de lado pode gerar desconfortos ortopédicos. A coluna nem sempre permanece alinhada, o que pode concentrar pressão no pescoço, nos ombros, nas costas e nos quadris. “Pessoas com problemas no ombro, por exemplo, costumam sentir dor ao dormir sobre o lado afetado”, explica Winkelman.

Dormir de costas, por sua vez, tende a manter a coluna mais alinhada, reduzindo dores articulares e musculares. O uso de um pequeno travesseiro sob os joelhos ou a lombar pode potencializar esse efeito. No entanto, essa posição não é indicada para quem sofre de ronco, apneia do sono ou doenças respiratórias. Segundo o especialista, o relaxamento dos tecidos da garganta facilita a obstrução das vias aéreas. Além disso, pessoas com insuficiência cardíaca, problemas pulmonares ou excesso de peso no tronco podem sentir falta de ar ao dormir nessa posição.

O refluxo ácido também pode ser agravado ao dormir de costas, o que leva especialistas a recomendarem a elevação da parte superior do corpo nesses casos.

Para Winkelman, não existe uma posição universalmente mais saudável. “A escolha precisa ser individualizada. Em geral, o próprio corpo sinaliza o que funciona melhor”, conclui. Em casos de doenças específicas, a orientação médica é fundamental para adaptar a posição de dormir às necessidades de cada pessoa.

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