Sexta-feira, 26 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 25 de junho de 2026
Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, enviou uma carta ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça em que critica a estrutura da prisão onde está, em Minas Gerais, e afirma ter sido detido “por um total e absoluto equívoco”.
O documento de oito páginas foi elaborado, segundo Henrique, no último dia 19 e com ajuda da filha Natália. Segundo pessoas próximas à família, o texto foi escrito porque o pai do ex-banqueiro reclama de não ter sido ouvido no processo.
Na carta, ele nega ilegalidades. Admite que conhecia Luiz Phillipi Mourão, apelidado de Sicário, mas rejeita qualquer tipo de operação irregular com ele. Também afirma ter passado mal na cela no último dia 13, ocasião em que teria ficado com o corpo “todo anestesiado”, “braços completamente dormentes” e “uma dor de cabeça enorme”.
“Fiquei apavorado, mas com a graça de Deus, orei e depois de um tempo, passou. Na cadeia não tenho a menor estrutura, se tiver que sair às pressas, tem só uma UPA por perto que não conseguiria me salvar se tivesse um pico de pressão para baixo ou para cima, poderia ser fatal”, disse.
O empresário está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), desde 14 de maio, após ser alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF).
Ele é apontado pela corporação como mandante do grupo conhecido como “A Turma”, que teria sido montado pelo dono do Master para ameaçar adversários com intimidações, coações e obtenção de informações sigilosas vazadas da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF.
O pai do ex-banqueiro também teria sido o responsável por pagamentos e pedidos serviços a um outro grupo, “Os Meninos”, que reuniria hackers para derrubar do ar reportagens contra o Master e contratar a publicação de conteúdo positivo para Vorcaro.
Na carta enviada a Mendonça, Henrique reclama da cobertura da imprensa sobre o caso Master e diz que incluiria tudo o que sabia, “para não existirem mais maldades e distorções”.
O pai de Vorcaro admite que conhecia Sicário há dez anos. O vínculo teria partido do genro, Fabiano Zettel, também preso na operação, do qual seria amigo.
Mourão teria lhe oferecido vários projetos para investir e que teria firmado um contrato com ele para um empreendimento imobiliário em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro. No texto, Henrique ressalta atuar no ramo há 45 anos e nega qualquer atividade ilícita com Sicário. “Não conheço turma. Não sei o que fazem”, diz.
“Não sou desonesto. Não faço coisas escusas. Ser honesto para mim não é só obrigação, é um prazer. Consegui com muito suor um patrimônio expressivo. Trabalho dia, tarde e noite, sempre. Não sou bandido. Não sou máfia.”
Henrique afirma ainda que Mourão chegou a lhe dar um telefone em que poderia falar “sem estar grampeado”, mas que só teria utilizado “umas três vezes”, por não ter nada a esconder.
Sicário também teria oferecido a Henrique, segundo a carta, “a publicação de notícias boas” em sites, visando diminuir a força de reportagens ruins que apareciam, mas que ele teria recusado. Mourão também teria atuado para ajudar o pai de Vorcaro a tirar um porte de arma, mas não teria obtido sucesso.
Henrique relata no documento que a irmã de Sicário passou a lhe ligar chorando após o suicídio, “totalmente desequilibrada”, ameaçando a família. Ela pedia quantias de dinheiro que, segundo ele, seriam fruto dos empreendimentos imobiliários entre ele e Mourão.
O pai de Vorcaro também admite a existência de contrato de segurança com Manoel Mendes Rodrigues, descrito na investigação como “operador do jogo do bicho” e líder de um braço local da organização no Rio de Janeiro com milicianos e policiais, para cuidar do terreno em Campo Grande.
Diz, porém, que não sabia de outras atividades de Manoel Mendes Rodrigues, e que para ele “sempre fizeram trabalhos honestos”. “Se tivesse alguma coisa de errado com o Manolo, nunca ligaria para ele. Eu sabia que eu estava grampeado, não sou tão ingênuo. É só raciocinar”, complementa.
Henrique acrescenta ser “muito bizarro” e desmentiu a informação de que ele teria R$ 2 bilhões em conta. Afirma que a mansão de 2.200 metros quadrados a oeste de Orlando, nos Estados Unidos, comprada por um valor recorde de US$ 32 milhões (R$ 166 milhões na cotação atual), seria fruto da venda de uma empresa de saúde, financiamento e empréstimo. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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