Quinta-feira, 21 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de abril de 2016
Quando James notou que a filha adolescente estava passando tempo demais com novos amigos, e sentiu um cheiro esquisito no quarto da jovem, uma suspeita se levantou. O pai, de Kentucky (EUA), desconfiou que a filha de 14 anos estivesse usando drogas, embora não tivesse encontrado nenhuma evidência. Então James (ele pediu que o sobrenome não fosse divulgado) fez o que um número cada vez maior de pais da região está fazendo: “contratou”, por 99 dólares, um cão farejador para revistar sua casa. “Não sou um pai enxerido e quero que minha filha confie em mim, mas tenho de protegê-la”, disse ele. “Sei que garotas são espertas e escondem coisas em lugares que eu nem imaginaria.”
O cachorro, especialmente treinado, encontrou maconha em um pequeno cachimbo de vidro escondido entre a maquiagem da jovem. Ela admitiu que a droga era sua. “No começo fiquei nervoso com um estranho dentro de casa com um cão farejador. Mas foi muito positivo”, avaliou.
Desde que abriu a Last Chance K9 Service, em setembro, Michael Davis diz que sua empresa já revistou mais de 50 casas na área de Louisville. Em nove entre dez casas os cães farejadores encontraram drogas. A de maior incidência foi a heroína, além de cocaína, maconha, metanfetamina e barbitúricos, às vezes ocultos em sofisticados esconderijos nas casas e nos carros.
A ideia de se encontrar heroína no quarto de um rapaz de 16 anos pode ser chocante, mas tem havido um drástico aumento no consumo da droga na região. No Condado de Jefferson, ocorreram 204 mortes por overdose em 2014. Davis disse que o grande consumo regional de drogas levou a um aumento da procura por seus cães. A empresa também é contratada para encontrar bombas, armas de fogo e drogas em companhias privadas.
“Muitos pais que nos procuram dizem: ‘Não sei o que meu filho anda fazendo, mas sei o que eu fazia em sua idade. Você pode dar uma busca no quarto dele, para me tranquilizar?’”, conta Davi. “Quando nada achamos, sugerimos aos pais que deem ainda mais apoio aos filhos.”
Relacionamento positivo.
Lawrence Balter, professor de psicologia aplicada na Universidade de Nova York e autor de livros sobre pais e filhos, diz que pode ficar difícil para os pais criarem um relacionamento positivo com os filhos se estes se sentirem sob vigilância. “É preciso entender que o uso de drogas está espalhado entre os adolescentes. Se eles perceberem que estão sendo espionados, agirão de forma mais secreta, ficando mais evasivos e enganadores.”
Balter acha que um cão farejador de drogas pode ser útil em casos extremos – quando um adolescente esteja sob risco de ser apreendido ou em vias de se meter em complicações sérias. Excluindo isso, é melhor tentar estabelecer um relacionamento “pais/filhos” no qual possam conversar sobre drogas de forma serena e objetiva. “Os pais devem ser aliados, não um Estado militar”, disse ele.
Alguns pais preferem que as casas sejam vasculhadas quando os filhos estão na escola. Outros querem que Michael Davis e seus cães deem um show de força diante dos adolescentes. “Cachorros intimidam”, diz Davis. “Quando o adolescente os vê em casa, calcula que possam ser trazidos a qualquer hora se os pais acharem que está envolvido com drogas e começa a pensar duas vezes antes de se envolver.”
Os pais contratantes e a Last Chance K9 Service assinam um contrato que proíbe a empresa de falar com qualquer pessoa sobre as buscas, incluindo policiais. As drogas apreendidas são embaladas e deixadas em delegacias de polícia, contudo os pais têm a opção de se livrar delas eles mesmos. Davis diz que alguns departamentos de polícia são cooperativos e não criam problemas; outros, não. Nestes casos, ele se vê forçado a deixar as drogas encontradas com os pais. (AE)
Os comentários estão desativados.