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Notícias Palácio do Planalto nega saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda

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Levy ressaltou ainda que Dilma está fazendo o possível para avançar com o ajuste fiscal, que vem sendo criticado por congressistas (Foto: Valter Campanato/Abr)

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não deixará o governo. A informação foi dada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva. Levy foi chamado nesta quinta-feira (03) para uma reunião no Palácio do Planalto com a presidenta Dilma Rousseff. Também participaram do encontro os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante. No Planalto, a reunião foi tratada como um “freio de arrumação” na equipe econômica. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou para Brasília na tarde desta quinta-feira para se encontrar com a presidenta.

“O ministro Levy fica. Ele sempre esteve forte e valorizado pelo conjunto do governo. É um ministro extremamente importante e comprometido não só com a construção deste governo, mas com o País. É natural que ministros defendam suas posições e que haja debate delas dentro do governo. Mas quem define em última instância é a presidenta Dilma”, disse Edinho.

Em meio a rumores de que está enfraquecido e poderia deixar o governo em breve, Levy cancelou uma viagem que faria a Turquia nesta quinta-feira para participar de uma reunião do G20. O cancelamento aumentou ainda mais os rumores sobre sua saída. A assessoria informou mais cedo que o ministro mantém os planos de viagem para a Espanha e França, mas no início da próxima semana.

Mercadante também afirmou no fim da tarde que Levy fica e que há “total unidade” da equipe econômica para solucionar o déficit nas contas. “Evidente que [Levy] fica. Ele tem compromisso com o Brasil, tem compromisso com esse projeto. Ele sabe a importância do trabalho que ele tem para a sétima economia do mundo como ministro da Fazenda. Já disse isso. Nós estamos reafirmando aqui”, disse.

Segundo Mercadante, os boatos sobre a queda de Levy se devem à uma aliança entre os mal-informados e os mal-intencionados. Os últimos, sugeriu, querem ganhar dinheiro com a turbulência que essa notícia gera no mercado.

“O clima foi tranquilo, amigável, de união. Quem apostar no contrário vai dar barrigada” disse Mercadante, referindo-se ao jargão jornalístico de notícia errada, já depois de encerrada a entrevista, de dentro do elevador que o levaria de volta ao seu gabinete, no quarto andar do Palácio do Planalto.

Insatisfação com a condução da política econômica

Segundo fontes do governo, a intenção da presidenta em fazer a reunião foi botar panos quentes na disputa interna. O desgaste de Levy e a possibilidade de sua saída do governo, afirmam as fontes, cresceram nesta semana por causa da previsão de déficit no Orçamento de 2016, o que está preocupando Dilma. Neste cenário de incerteza política, o mercado financeiro reagiu negativamente e o dólar chegou a passar de 3,818 reais pela manhã.

Lula é um dos defensores da volta da CPMF, que o governo resolveu ressuscitar, mas depois recuou por falta de apoio no Congresso. Na equipe de Dilma, a volta do imposto era patrocinada por Barbosa, que é ligado ao ex-presidente. Já Levy preferia fechar o Orçamento do ano que vem, enviado ao Congresso na segunda-feira (31), com corte de despesas, e não aumento de tributos.

Vencido no debate sobre a elaboração da proposta orçamentária de 2016, Levy tem demonstrado insatisfação com a condução da política econômica. Ele defendia que o Orçamento fosse encaminhado ao Legislativo garantindo a realização de uma meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto).

No entanto, o Ministério do Planejamento avaliou que não haveria margem para cortes mais profundos de despesas que pudessem ser feitos para assegurar esse resultado. Para evitar o déficit, Dilma chegou a considerar a possibilidade de encaminhar junto ao Orçamento uma PEC (proposta de emenda à Constituição) recriando a CPMF, o que daria um reforço de mais de R$ 60 bilhões ao governo federal. No entanto, a proposta nem chegou a ser apresentada, diante da reação do Congresso.

Após a reunião no Planalto, Mercadante disse que o Orçamento que o governo enviou ao Congresso já contém um forte corte de despesas, segundo ele de 0,7% do PIB. Mas disse que é preciso cortar mais nas despesas obrigatórias, que somam R$ 1 trilhão. Ele apontou que a grande despesa do Brasil hoje é com a Previdência, que consome 55% dos gastos do governo. Mais de uma vez ele repetiu, durante a coletiva que durou menos de dez minutos, que há convergência entre os membros da equipe econômica.

“Há total unidade da equipe em relação a que nós precisamos continuar o esforço de cortar gastos, especialmente as despesas obrigatórias, melhorar a gestão, a eficiência do gasto público, enxugar a estrutura administrativa do Estado e, de outro lado, melhorar a receita. Nós vamos ter que melhorar receita. As duas coisas têm que ser feitas e todo mundo está de acordo”, afirmou, complementando em seguida que o clima do encontro de Dilma com Levy foi de unidade: “Um clima de convergência, de unidade, de dedicação, de arregaçar as mangas e trabalhar”.

Ainda sobre o Orçamento, o ministro ressaltou que o governo não está confortável com o déficit enviado para o Congresso, mas disse que, em termos reais, o Orçamento fechado pela equipe econômica é equivalente ao de 2012. “Nós não estamos e o País não pode ficar confortável com um déficit de R$ 30 bilhões no Orçamento. Portanto, a nossa luta para melhorar a situação fiscal continua. E a reunião hoje foi isso.”

Em entrevista ao jornal El País na quarta-feira (02), Levy afirmou não ter a intenção de deixar o cargo. Perguntado se estava pronto para sair, o ministro respondeu: “Não tenho a intenção de deixar o governo”. A entrevista será publicada no jornal espanhol no domingo (06). (AG)

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