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Eleições 2026 Palácio do Planalto orienta ministros a viajarem para promover o governo Lula durante a campanha

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Oficialmente, o governo alega que as viagens servem ao propósito de concluir “entregas”. (Foto: Agência Brasil)

Nos últimos dias, auxiliares de ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram chamados ao Palácio do Planalto para receber cobranças relacionadas ao “compromisso” com a campanha petista. As orientações fazem parte de uma estratégia do governo para ampliar a presença dos ministros nos estados e intensificar a divulgação das ações da gestão federal em diferentes regiões do país.

As determinações, segundo relatos, partiram da Casa Civil e da Secretaria de Comunicação Social (Secom) e não se restringem aos assessores dos ministros. Os próprios integrantes do primeiro escalão foram orientados a organizar agendas nos estados e a conceder entrevistas a rádios locais com o objetivo de “divulgar o governo”. A movimentação inclui ainda um acompanhamento periódico das atividades: o Planalto exige o envio de dados sobre as agendas a cada 15 dias, com o objetivo de monitorar o cumprimento das orientações.

Oficialmente, o governo afirma que as viagens e compromissos nos estados têm como finalidade concluir e apresentar “entregas” da administração federal. A orientação, no entanto, gerou incômodo entre alguns ministros e assessores, especialmente pela proximidade entre as atividades institucionais determinadas pelo governo e a estratégia eleitoral do PT para a disputa presidencial.

A iniciativa ocorre em um momento em que o governo busca ampliar a exposição de Lula e de sua administração nos estados, ao mesmo tempo em que a campanha pela reeleição começa a ganhar espaço nas articulações políticas. A participação dos ministros em agendas regionais também permite ao governo apresentar obras, programas e investimentos federais diretamente aos eleitores, embora, oficialmente, os compromissos sejam classificados como parte da atuação administrativa.

Jantar

O presidente Lula convidou banqueiros e empresários para um jantar, nesta segunda-feira (31), em Brasília (DF). O encontro ocorre quatro dias depois de o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, ter apresentado seu plano de governo a representantes do mercado financeiro, em São Paulo.

A reunião faz parte dos movimentos de Lula para estabelecer pontes com representantes do setor empresarial e financeiro. Esses segmentos historicamente não mantêm uma relação de proximidade com o PT e, diante da possibilidade de uma nova candidatura de Lula, demonstram ressalvas em relação ao projeto de reeleição. Ao mesmo tempo, integrantes do mercado também manifestam desconfiança em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Entre os convidados para o jantar estão Rubens Ometto, da Cosan; os irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F; José Seripieri Filho, da Amil; e Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco. Também receberam convite os banqueiros Milton Maluhy, do Itaú, e André Esteves, do BTG. Os três últimos estiveram reunidos com Flávio Bolsonaro em São Paulo, durante as articulações do candidato com representantes do mercado financeiro.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem atuado até agora como principal interlocutor de Lula nas conversas com representantes da Faria Lima. Nas últimas semanas, Durigan participou de diferentes reuniões com banqueiros e empresários, em uma tentativa de reduzir ruídos e esclarecer a posição econômica do governo diante de declarações e propostas que provocaram questionamentos no mercado.

Parte das dúvidas surgiu após entrevistas concedidas pelo ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula para um eventual quarto mandato. Gabrielli abordou a necessidade de mudanças na política econômica para ampliar investimentos e gastos sociais, o que gerou repercussão entre agentes do mercado e aumentou as discussões sobre os rumos da política fiscal em um eventual novo governo.

Durigan, por sua vez, tem reiterado que o governo pretende renovar o compromisso com o ajuste fiscal caso Lula seja reeleito. A sinalização busca transmitir aos agentes econômicos a perspectiva de continuidade da política de controle das contas públicas, em meio às dúvidas sobre como seriam conciliadas as promessas de ampliação de investimentos e de políticas sociais com as restrições fiscais.

Depois das declarações de Gabrielli, a plataforma apresentada por Lula passou a destacar que, em caso de um novo mandato, o presidente manterá o arcabouço fiscal. O documento, contudo, não detalhou as metas que seriam adotadas nem apresentou, até o momento, uma definição completa sobre como o governo pretende compatibilizar o aumento dos investimentos e dos gastos sociais com o compromisso de equilíbrio das contas públicas. (Com informações da Revista Veja e do portal Terra)

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