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Colunistas Palavras de origens curiosas – parte I

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Em uma conversa de amigos que almoçam juntos há 30 anos, surgiu a discussão sobre a palavra chope ou chopp. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Em uma conversa de amigos que almoçam juntos há 30 anos, surgiu a discussão sobre a palavra – chope ou chopp – cuja etimologia constatou-se ser bastante pitoresca.

Na Alemanha, choppen era uma antiga unidade de volume variável de 300 ml a 500 ml, na qual eram servidos copos ou canecas de cerveja.

Como praticamente todos bebiam cerveja, os clientes nas tavernas pediam um choppen, uma medida. (Óbvio que a bebida era cerveja.)

No Brasil, os imigrantes alemães, no século XIX, diziam nos balcões dos bares: “ein Schoppen Bier”, traduzindo (um copo de cerveja).

O termo foi sendo resumido e aportuguesado, passando a designar cerveja não pasteurizada de produção recente, o nosso tradicional chope.

Nada errado, então, em dizer:

Vamos tomar um chopp de cerveja!

Mas, valendo-me das conversas dos amigos de almoço executivo, seguem outras palavras pitorescas do nosso dia a dia.

A conhecida “chimia”.

Nas colônias alemãs, o termo gerava uma divertida confusão linguística.

Schmier era a designação da graxa usada para lubrificar os eixos das carroças, carretas e engrenagens agrícolas.

Como o ato de passar a geleia ou o doce de frutas no pão lembrava o ato de “untar” ou “espalhar” a graxa, os colonos passaram a chamar o doce de Schmier.

Daí nasceu a famosa expressão colonial: “Tudo que se passa no pão é schimier, mas nem toda schimier se passa no pão”.

Outra boa dos alemães é o serigote.

O serigote é uma espécie de sela usada na montaria de cavalos; que eu saiba, a expressão é bem regional.

O termo é uma corruptela (deturpação fonética) da expressão em alemão “sehr gut”, que significa “muito bom”.

A lenda e o folclore gaúcho contam que, durante a imigração alemã no sul do país, colonizadores apresentaram aos tropeiros e cavaleiros locais uma nova espécie de sela ou almofada muito macia.

Ao testarem a novidade e elogiarem o conforto do assento, os gaúchos repetiam a expressão germânica que ouviam dos colonos, “sehr gut”, abrasileirando a pronúncia para “serigote”.

A língua portuguesa é riquíssima em palavras de origem interessante; escolhi uma bem pitoresca:

Guisado.

Vem do particípio passado do verbo guisar (cozinhar a partir de um refogado).

Por sua vez, esse verbo tem origem no termo germânico wisa (que significa “maneira” ou “jeito”), que passou para o francês antigo como guise e, posteriormente, chegou ao português.

Fiquei surpreso em saber que guisado é um verbo.

Algumas lendas.

A etimologia de forró do inglês “for all” é uma lenda urbana.

A palavra deriva, na verdade, de forrobodó. Esse termo, registrado no Brasil desde o século XIX, tem origem controversa.

Uma das possibilidades é que a palavra seja de origem africana (das línguas bantas) ou galega, significando festa, arrasta-pé ou baderna.

A outra é a origem etimológica do francês (faux-bourdon), ou “falso bordão”, referindo-se a uma técnica musical medieval.

No Brasil, passou a ser associada à “desentoação” e, depois, a um som ou ritmo de festas.

A conexão com “for all” (que significa “para todos”) é uma história popular. Acredita-se que tenha surgido por dois caminhos:

Durante a Segunda Guerra Mundial, tropas americanas instalaram uma base em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, ou, antes disso, por engenheiros britânicos que construíam ferrovias em Pernambuco e promoviam bailes abertos.

Apesar de a versão em inglês ser romântica e inclusiva, a ciência linguística refuta essa teoria, comprovando que o ritmo tipicamente nordestino abraçou o som de “forró” através do natural aportuguesamento e redução da palavra “forrobodó”.

O termo ganhou os significados de “baile popular animado” e, por extensão, “confusão ou algazarra”.

O galego (forbodô) serviu como ponte para a adaptação fonética que gerou o vocábulo utilizado no português.

Etimologistas como Luís da Câmara Cascudo apontam que “forró” é apenas uma abreviação natural da palavra forrobodó.

* Rogério Pons da Silva – jornalista e empresário (rponsdasilva@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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