Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 10 de maio de 2020
O governo britânico anunciou no sábado (9) um plano bilionário para “criar uma nova era de ciclismo e caminhada”. O investimento será de 2 bilhões de libras (cerca de R$ 13 bilhões), o equivalente ao orçamento para este ano da cidade de Belo Horizonte.
No curto prazo, a meta é criar alternativas para o transporte público, que precisará ter lotação reduzida para evitar contágio pelo coronavírus.
Nas últimas semanas, cidades como Milão, Paris e Madri anunciaram projetos semelhantes, para tentar mudar a estrutura de transporte e evitar que passageiros virem motoristas.
O plano britânico prevê a separação de faixas protegidas nas ruas para ciclovias que estão sendo chamadas de “pop-up”, alargamento de calçadas, reprogramação dos sinais nos cruzamentos e corredores exclusivos para bicicletas e ônibus.
As obras dessa primeira fase serão feitas “em semanas”, segundo o governo, com um orçamento inicial de 250 milhões de libras (R$ 1,6 bilhão).
Outros 3 bilhões de libras devem ser investidos para aumentar a frequência do transporte público, mas o governo afirmou que quer incentivar “alternativas mais saudáveis”, como as bicicletas ou a caminhada.
No anúncio, o secretário de Transportes (equivalente a ministro), Grant Shapps, afirmou que esse é o maior investimento em transporte sustentável já feito.
O programa cita especialmente a região da Grande Manchester, que tem um plano de ciclovias e calçadas integradas, e o departamento de Transporte de Londres, que pretende fazer um sistema de ciclovias acompanhando, na superfície, as linhas de metrô da cidade. O projeto foi apelidado de “bike Tube” (tube é como os londrinos chamam o metrô).
Moradores que queiram reformar suas bicicletas receberão vales do governo, e o plano é aumentar o número de oficinas e serviços de reparo. Também serão destinados mais recursos para o programa Cycle to Work, que dá desconto a trabalhadores na compra de bicicletas novas.
“Sabemos que carros continuarão sendo vitais para muitos, mas, quando olhamos para o futuro, queremos construir um país melhor, com transporte sustentável, ar mais limpo e comunidades mais saudáveis”, diz o plano anunciado no sábado.
Um fundo já existente para instalar pontos de recarga para carros elétricos será dobrado, para 20 milhões de libras (R$ 130 milhões), com 7.200 novos locais, e leis devem ser propostas para permitir o uso de scooters elétricas em rodovias de regiões metropolitanas.
Shapps disse que esta é “uma chance única numa geração” para reformular os transportes e reduzir a poluição.
Isolamento
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse neste domingo (10) que o isolamento contra o coronavírus ainda não acabará, pedindo que as pessoas “fiquem alertas” aos riscos, ao mesmo tempo em que explicou seu plano para aliviar as medidas que fecharam boa parte da economia por quase sete semanas.
Embora as orientações sejam para a Inglaterra, o governo britânico quer também que as outras nações do Reino Unido —Gales, Escócia e Irlanda do Norte— adotem a mesma abordagem, mas houve divisões imediatas, com a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, dizendo que permaneceria com a mensagem “fique em casa”.
Johnson anunciou um limitado afrouxamento das restrições, incluindo permitir que pessoas façam exercícios ao ar livre com mais frequência e encorajando aqueles que não podem trabalhar em casa a retornarem aos seus empregos.
“Não é o momento de simplesmente encerrar o isolamento esta semana”, disse Johnson, em um discurso transmitido pela televisão. “Em vez disso, tomaremos os primeiros passos, com cuidado, para modificar nossas medidas.” As informações são do jornal Folha de S.Paulo e da agência de notícias Reuters.
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