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Brasil Para Henrique Meirelles, o programa de Fernando Haddad retoma a recessão e o de Bolsonaro é duvidoso

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Após obter só 1,20% dos votos, Meirelles afirma que não apoiará nenhum dos candidatos no segundo turno. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O programa de governo de Fernando Haddad (PT) para a economia é voltar à recessão, enquanto o de Jair Bolsonaro (PSL) é incompreensível, segundo a opinião de Henrique Meirelles, candidato do MDB à Presidência derrotado no domingo (7). Após obter só 1,20% dos votos, ele afirma que não apoiará nenhum dos candidatos no segundo turno enquanto suas propostas econômicas permanecerem como estão.

Meirelles, de 73 anos, que foi convidado para ser presidente do Banco Central na gestão Lula e ministro da Fazenda de Michel Temer, também não aceitará participar de governos cujas ideias não estejam em linha com as suas. Se voltar a concorrer no futuro, ele diz que vai considerar “tudo”, inclusive avaliar o papel que o MDB, partido do impopular presidente Temer, teve em sua candidatura.

O ex-ministro — que nasceu em Anápolis, fez carreira no BankBoston e custeou parte da campanha com a própria fortuna — diz que está “em paz” e planeja criar um canal de informação digital para reunir propostas para o Brasil.

1) Quem é o culpado pela polarização desta eleição entre Haddad e Bolsonaro, que prejudicou a votação de todos os outros candidatos, inclusive o sr.?

Há uma série de fatores. Teve a crise econômica, que levou à maior recessão da história e deixou as pessoas com uma visão muito negativa da realidade. Saímos da recessão [na minha gestão no ministério da Fazenda], mas não houve tempo para a população perceber, então continuou aquela sensação e logo vieram as incertezas eleitorais.

Quando eu estive no Banco Central por oito anos, houve um tempo para que a economia melhorasse e as pessoas percebessem o bem-estar. Outro fator é o descrédito com a classe política por toda a revelação de recursos desviados. A Lava-Jato fez um belo trabalho mas deixou a indignação. Isso já tinha se manifestado nos protestos de 2013, quando o detonador foi o preço de passagem de ônibus, mas na realidade expressava um problema difuso da sociedade.

Nesse clima, nós entramos em uma eleição tendo um candidato de direita e um de esquerda com seus componentes que levaram à passionalidade. De um lado, o esfaqueamento do Bolsonaro e de outro, a prisão do Lula. A conjunção desses fatores causou a polarização que, principalmente no fim da campanha, levou as pessoas a deixarem de votar no candidato que achavam o melhor. Aí nós tivemos esse resultado e estamos vivendo o segundo turno nesse clima.

2) Quando o mercado reage bem à escalada de Bolsonaro nas pesquisas, ele alimenta a polarização?

O mercado não é um ente político. É uma definição de preços por pessoas que estão comprando e vendendo títulos.

3) Mas ele funciona como um componente da eleição? O nome do sr., por exemplo, se tivesse crescido no início da campanha, poderia ter agradado e trazido confiança ao mercado?

Certamente. É verdade, existe esse componente. O mercado é formado por pessoas que compram e vendem títulos em função do que acham que vai subir de preço. Tem um efeito político, mas a motivação inicial é a da formação de preço. Se o mercado se preocupa com um lado, favorece o outro.

4) O mercado já escolheu Bolsonaro. Ainda dá tempo de Haddad ajustar o programa de governo e fazer aceno como fez Lula em 2002 com a carta ao povo brasileiro?

Sim, desde que viesse a fazer isso. Em 2002, Lula fez a carta aos brasileiros em maio. Não sei o que o PT vai fazer. Não estou participando das reuniões do PT, assim como não estou participando das do Bolsonaro. Vamos aguardar.

5) O sr. já criticou os programas dos dois candidatos. O que mais incomoda em cada um?

O grande problema do programa do PT é se propor a desfazer exatamente aquilo que permitiu que a economia brasileira se recuperasse da crise. Ele reforça aquela linha de ação que levou à crise, ou seja, resgata o que foi feito pela Dilma. É um caminho que claramente leva a uma recessão.

6) E o programa de Bolsonaro?

Ele nunca colocou com clareza o programa econômico dele. Anunciou um assessor econômico [Paulo Guedes] que tem dito algumas coisas que ele mesmo tem contrariado. Ele desmentiu e depois prestigiou o assessor. Mas eu não sei o que vai prevalecer no governo de Bolsonaro.

A questão é que precisamos entender o que o Bolsonaro vai fazer. Existe uma diferença entre o que o assessor dele diz e o que ele votou em toda a vida política dele como parlamentar.

 

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