Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 5 de julho de 2017
Um dia após anunciar o nome do relator da denúncia contra Michel Temer, o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), afirmou que, se a defesa do peemedebista entregar a defesa nesta quarta-feira (5), o parecer poderá ser apresentado na segunda (10).
Ainda de acordo com o dirigente da comissão, a discussão do relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que antecede a votação do parecer, deve ser iniciada na próxima semana, na quarta-feira (12).
Os advogados de Michel Temer anunciaram que irão protocolar a defesa do presidente da República na tarde desta quarta, por volta das 15h. Após entregar o documento, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, responsável pela defesa do peemedebista, vai conceder uma entrevista coletiva no salão verde da Câmara.
Na manhã desta quarta, o presidente da CCJ recebeu os coordenadores das bancadas que integram a comissão para discutir o rito de tramitação da denúncia no colegiado. O encontro, com entra e sai de deputados, durou quase três horas.
Um dos pontos de divergência, segundo parlamentares que participaram da reunião, envolve requerimentos que pedem a presença de pessoas envolvidas na denúncia, como o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Após o encontro, Rodrigo Pacheco informou que irá decidir individualmente sobre os requerimentos até esta quinta-feira (6). A deputada oposicionista Maria do Rosário (PT-RS) não concordou que a decisão fosse monocrática e pediu que os integrantes da CCJ votassem os requerimentos.
Planalto preocupado
A indicação de Sergio Zveiter para a relatoria da denúncia contra Temer preocupou os integrantes do Palácio do Planalto.
A avaliação no núcleo duro do governo seria a de que o deputado do Rio é um peemedebista independente e que, portanto, pode surpreender com um relatório desfavorável ao presidente da República.
Ainda de acordo com Camarotti, até o último instante, o presidente da CCJ foi intensamente pressionado para indicar um outro nome com perfil mais próximo ao governo. Mas decidiu manter Zveiter.
Os palacianos acreditam que um relatório eventualmente contrário a Temer deve tornar ainda mais difícil a situação para o presidente durante a votação na CCJ. Qualquer que seja o resultado na comissão, o parecer aprovado na comissão irá para votação no plenário da Câmara.
Zveiter é um dos vice-líderes do PMDB na Câmara, partido de Temer. Ele está no segundo mandato de deputado, foi filiado ao PDT e PSD.
Em 2016, Sergio Zveiter votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e da cassação do mandato do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Logo após ser anunciado no cargo, Zveiter enfatizou que não aceita pressões.
Prazo maior
Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), disse nesta quarta-feira, 5, que a tramitação da denúncia contra o presidente Michel Temer pode extrapolar o prazo regimental de cinco sessões plenárias se for necessário, dependendo da dinâmica do debate. O peemedebista marcou para segunda-feira a leitura do parecer do relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), mas também reconheceu que poderá haver adiamento da apresentação.
Pacheco reuniu nesta manhã coordenadores de bancadas e fecharam alguns procedimentos sobre as sessões de análise da denúncia. “Se este procedimento redundar no encerramento disso na quinta-feira, que seja. Senão, vamos avançar a semana seguinte até que possa ser garantido este rito transparente, este rito democrático na CCJ”, declarou. “Vamos evitar, para cumprir o regimento no tocante ao prazo de cinco sessões, mas se for preciso alongar por mais uma, duas sessões, assim faremos para garantir a lisura do procedimento na CCJ”, completou. (AG)
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