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Brasil Parlamentares do PT decidiram não alimentar o confronto com o PDT de Ciro Gomes

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"O Lula é o maior líder popular Brasil. Não o desmereço em nada. Agora ele está fazendo mal ao país, porque só pensa no seu projeto particular de poder", disse Ciro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Parlamentares do PT decidiram, em reunião na manhã desta quarta-feira (31), não alimentar o confronto com o PDT de Ciro Gomes, que tenta se posicionar como protagonista da esquerda na oposição ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Em café da manhã para tentar afinar o discurso do partido pós-eleição, as bancadas petistas da Câmara dos Deputados e do Senado decidiram manter o plano de que tentam formar uma “frente democrática” com todos os interessados em combater a agenda conservadora de Bolsonaro, sem impor o “hegemonismo”, como acusam os pedetistas. As informações são do jornal O Globo.

Ciro Gomes disparou uma série de críticas ao PT, em entrevista à “Folha de S.Paulo”. Disse que Fernando Haddad cumpriu um “papelão” ao substituir Luiz Inácio Lula da Silva, que é cercada de “bajuladores”, como a presidente do partido Gleisi Hoffmann. Acrescentou que foi “miseravelmente traído” pelo PT e que não fará mais campanha com a legenda.

Não só a entrevista, mas o comportamento do PDT na reta final da campanha presidencial e a articulação do partido para formar um bloco com outros partidos de esquerda e isolar o PT, foram temas do café da manhã petista, que se alongou até a hora do almoço. A posição majoritária foi de não partir para o enfrentamento ao PDT.

“Não vamos comprar essa briga com o PDT e o Ciro. Nós não concordamos, mas respeitamos as queixas dele. O importante agora é nos concentrarmos na formação da frente democrática”, diz o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Pelo Twitter, com a intenção de encerrar o assunto, Gleisi Hoffmann respondeu a Ciro, dizendo que lamenta por ele estar “tão irritado com seu resultado eleitoral insatisfatório”, mas acenou ao PDT. “Mas entendemos suas dores e somos solidários. O que importa é a unidade contra o fascismo e o ataque aos direitos do povo. Nisso estaremos juntos”, escreveu.

Enquanto o PT ainda digere o resultado nas urnas, os outros partidos avançam nas tratativas de formar um “blocão” na Câmara e no Senado. As conversas envolvem PDT, Rede, PSB, PPS e PCdoB. Contra o isolamento expectativa petista é que a tensão eleitoral diminua nos próximos meses e que as legendas voltem a se alinhar. Com o capital de 44,1 milhões de votos, o partido prega que, “naturalmente”, é visto como o “nome” da oposição a Bolsonaro.

Parlamentares pregaram, na reunião, que a oposição a Bolsonaro tem de ser de “enfrentamento”. Houve críticas à pregação de líderes pedetistas de uma “oposição propositiva”. A linha majoritária no PT é de reforçar em todos os momentos possíveis que o governo Bolsonaro já age para aprovar pautas de seu interesse no Congresso, numa tentativa de “terceirizar” os desgastes com a aprovação de propostas polêmicas para o presidente Michel Temer.

O discurso já é levado para a tribuna. Nesta quarta, a senadora Gleisi Hoffmann disse que a “primeira resistência” será em relação à reforma da Previdência.

“O candidato que ganhou, o senhor Bolsonaro, não tratou na sua campanha eleitoral de reforma da Previdência, não tem no seu programa, não fez debate, não discutiu com a população. Agora, em conluio com o Temer, articula para colocar a matéria para ser votada na Câmara dos Deputados antes de ele assumir e tomar posse, para que ele já assuma e tome posse com os direitos retirados do povo? Nós não podemos aceitar”, disse.

Na mesma linha, o senador Lindbergh Farias (PT) disse que “estão querendo antecipar a pauta do Bolsonaro para agora, neste momento, agora, à tarde, está sendo discutido na Câmara a tal da Escola sem Partido; aqui, foi a Lei Antiterrorismo que quiseram mexer no dia de hoje”.

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