Sexta-feira, 13 de março de 2026
Por Flavio Pereira | 12 de março de 2026
Kennedy Kauã Cravo da Costa e Izabella D’avila Antonelli já iniciaram as atividades práticas em Viamão e Cachoeirinha, respectivamente.
Foto: DivulgaçãoEsta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O programa realizado pelo governo do Estado, em parceria com a Renapsi, oferece formação profissional e experiência prática em órgãos públicos. A iniciativa prevê qualificação profissional e acesso ao mundo do trabalho para jovens em situação de vulnerabilidade social no Rio Grande do Sul.
Ao todo, 2.785 jovens de 75 municípios gaúchos participam do programa nesta segunda edição. Desse montante, 1.840 são atendidos pela Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi), por meio da tecnologia social Demà Aprendiz, distribuídos em 30 cidades gaúchas.
O Partiu Futuro é realizado pelo governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes). À Renapsi cabe a coordenação da formação teórica e o acompanhamento da atividade prática em órgãos públicos. Após uma etapa inicial de capacitação, os participantes passam a conciliar a formação teórica, realizada uma vez por semana, com a prática profissional em órgãos estaduais e municipais, onde atuam quatro dias por semana.
Parte dos aprendizes já iniciou as atividades práticas. É o caso de Izabella D’Avila Antonelli, de 18 anos, moradora de Cachoeirinha. Desde fevereiro, ela atua no atendimento ao público e no agendamento de serviços no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Anair, na mesma cidade. A jovem vive com a mãe e três irmãos no bairro Jardim América. A vaga marcou sua primeira experiência com carteira assinada.
“Lá em casa todo mundo ficou muito feliz. Eu nunca tinha trabalhado antes e estava até com receio no início, porque hoje em dia a gente fica desconfiado de ofertas de vagas na internet. Mas quando vi que o programa era sério, fiquei muito contente com a oportunidade”, conta. Além de ajudar na renda familiar, a jornada de quatro horas diárias permite que Izabella continue estudando e se preparando para o vestibular, já que concluiu recentemente o ensino médio.
“Consigo trabalhar e ainda ter tempo para estudar. Penso em fazer faculdade no futuro. Já pensei em Administração, História, mas agora estou mais inclinada para a área de tecnologia, como Ciências da Computação ou Engenharia da Computação”, disse.
Descobrindo novas habilidades
Em Viamão, o estudante Kennedy Kauã Cravo da Costa, de 15 anos, também vive a oportunidade do primeiro emprego por meio do Partiu Futuro Reconstrução. Aluno do primeiro ano do ensino médio, ele trabalha no atendimento ao público no CRAS do município. Morando com a mãe, irmãos e um tio, Kennedy conta que nunca havia trabalhado antes, mas sempre participou de cursos incentivados pela família.
“Minha mãe sempre quis que eu me atualizasse para não ficar parado”, diz. A experiência tem sido transformadora, principalmente no desenvolvimento pessoal. Para ele, a experiência tem significado de aprendizado constante.
Formação prática que prepara para o futuro
Para jovens como Izabella e Kennedy, a primeira experiência no trabalho marca o início de uma trajetória de aprendizado, crescimento e novas oportunidades. Além de Cachoeirinha e Viamão, os aprendizes do Partiu Futuro Reconstrução já iniciaram as atividades práticas em municípios como Canoas, São Jerônimo, Triunfo, Montenegro, Bom Princípio, Taquara e São Leopoldo.
O diretor da Demà, Eurico Meira da Costa, destaca que a combinação entre teoria e prática é um dos diferenciais do programa. Alinhado ao conceito de empregos verdes, o projeto estimula a consciência ambiental, justiça social e empoderamento econômico, preparando os participantes para atuar de forma responsável, sustentável e protagonista em seus territórios. “Quando o participante vivencia o ambiente de trabalho enquanto recebe formação teórica, ele consegue desenvolver competências profissionais e socioemocionais de forma muito mais completa.
Para o titular da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), Beto Fantinel, o programa é mais do que uma oportunidade de qualificação e de inserção no mercado de trabalho, representa um caminho real de transformação para muitos jovens.
“Quando vemos histórias de estudantes que já começaram suas atividades e estão construindo novos projetos de vida, temos a confirmação de que investir na juventude é investir no futuro do Rio Grande do Sul. Nosso objetivo é justamente esse: abrir portas, gerar oportunidades e apoiar a reconstrução de trajetórias depois de um período tão desafiador para tantas famílias”, destacou.
A iniciativa é voltada a jovens com idade entre 14 e 22 anos, egressos ou matriculados na rede pública de ensino, inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) e que foram impactados pelas enchentes de maio de 2024 ou residem em municípios integrados ao Programa RS Seguro. O contrato tem duração de um ano e prevê carga horária total de 1.040 horas.
O programa integra o Plano Rio Grande, ação liderada pelo governador Eduardo Leite e criada para proteger a população, reconstruir o Rio Grande do Sul e torná-lo ainda mais forte e resiliente, preparado para o futuro.
Os participantes recebem bolsa-auxílio de R$ 894,52, correspondente a 50% do salário mínimo regional, para uma jornada de 20 horas semanais, além de vale-alimentação de R$ 550 e vale-transporte, quando necessário. Também contam com registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e acesso a todos os direitos garantidos por lei, como FGTS, INSS, férias e 13º salário, bem como acompanhamento psicológico, orientação jurídica, acesso à telemedicina e reforço escolar em língua portuguesa e matemática.
Municípios atendidos pela Renapsi no RS e número de vagas
As cidades participantes nesta segunda edição do programa são: Alvorada (20), Bom Princípio (2), Cachoeirinha (6), Campo Bom (47), Canoas (177), Capão da Canoa (40), Charqueadas (10), Eldorado do Sul (77), Feliz (10), Gravataí (15), Guaíba (50), Igrejinha (20), Montenegro (14), Nova Santa Rita (16), Novo Hamburgo (85), Parobé (20), Pelotas (150), Porto Alegre (449), Rio Grande (150), Rolante (4), São Jerônimo (30), São José do Norte (10), São Leopoldo (100), São Lourenço do Sul (39), São Sebastião do Caí (4), Sapucaia do Sul (37), Taquara (38), Tramandaí (50), Triunfo (50) e Viamão (120).
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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