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Brasil Passadas as discussões da reforma da Previdência, o governo vai centrar esforços nas privatizações, que podem render 450 bilhões de reais para os cofres públicos

Na segunda-feira, assessoria de imprensa informou que celular do ministro havia sido hackeado. (Foto: Fabio Rodrigues/Agência Brasil)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já está avistando a agilização das privatizações, que até o momento estão sendo feitas em uma velocidade moderada. O programa de desestatização do governo pode gerar uma quantia de até R$ 450 bilhões.

Caso o governo consiga metade desse valor, já será o maior rendimento obtido em privatizações da história do País. As instituições financeiras Bradesco BBI e Credit Suisse fizeram cálculos parecidos. O Bradesco estimou um valor de arrecadação próximo aos R$ 470 bilhões. Entretanto o Credit Suisse calculou algo em torno de R$ 400 bilhões com as privatizações.

Paulo Guedes afirmou que o processo de desestatização não tinha sido acelerado por conta da reforma da Previdência. Sendo assim, o ministro tinha receio de travar algum processo durante a mudança da constituição. Vale ressaltar que a reforma ainda irá passar por votação na Câmara, em segundo turno, e, logo depois, no Senado.

Objetivos da privatização

O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) calculou que entre 1990 e 2015 foram feitas 99 processos de privatização. Juntos, movimentaram US$ 54,5 bilhões. Se somar o valor ao obtido no governo temer (US$ 12 bilhões), o total é de US$ 66,5 bilhões.

Sendo assim, o valor equivale a terceira parte do total que poderia ser arrecadado no pior cenário do governo atual. Se Paulo Guedes conseguir tirar seus planos do papel, o País será o maior do mundo no quesito de desestatização. Dessa forma, o ministro da economia quer diminuir a interferência do Estado na economia.

Na visão dele, as empresas estatais utilizam muita verba que deveria ir para outros setores. “Tem de acelerar a privatização para jogar o dinheiro na área social”, afirmou o ministro. Além de investir em outras áreas, Guedes diz que quer diluir as dívidas de contas públicas do governo, que se encontram, hoje, no valor aproximado de R$ 3,9 trilhões.

Rodrigo Maia

Responsável pelo sucesso na articulação e tramitação da reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não almeja disputar a Presidência da República ou o governo do Rio de Janeiro. Para ele, sem reformas aprovadas, não há motivo para tentar um cargo numa eleição majoritária. “Não quero ser administrador de crise”, disse. Para Maia, um candidato que queira ter capacidade para enfrentar Bolsonaro em 2022 precisa caminhar da direita para o centro ou para a centro-esquerda.

O presidente da Câmara disse que defendeu a reforma da Previdência por convicção, não por compromisso com o governo, e reiterou que pode apoiar quem quiser para a presidência em 2022. “Por que eu tenho que ter lealdade a esse governo, do ponto de vista político?”, disse. Ao falar sobre o afastamento entre ele e Paulo Guedes, após o ministro da Economia criticar os parlamentares, Maia disse que ainda o admira. “Troco WhatsApp. Eu não bloqueei ele ainda”, disse.

Após a votação da reforma da Previdência, Maia deixou claro que o governo terá dificuldades para emplacar a sua pauta de projetos. “Vamos tocar as pautas de Estado. As pautas de governo, se esse diálogo não melhorar, vai haver muita dificuldade de tocar”, disse. Ele avisou que será difícil ter voto para aprovar as privatizações. Essa é uma das principais agendas do plano do ministro Paulo Guedes para a fase pós-previdência.

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