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Brasil Pela primeira vez, operador de esquema de corrupção admite que recolhia propina para o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral

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Sérgio Cabral é condenado mais uma vez (Foto: Reprodução)

Considerado pelo Ministério Público um dos operadores do esquema de corrupção liderado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) e já condenado em três processos da Operação Lava-Jato, Carlos Miranda admitiu pela primeira vez à Justiça na quarta-feira (08) que recolhia dinheiro de propina a mando de Cabral – de quem foi amigo de infância e chegou a ser sócio.

Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Miranda afirmou que passou a controlar, por meio de planilhas, contratos firmados pelo governo fluminense a partir de 2007, quando Cabral iniciou sua gestão como governador, até pelo menos 2011, e recolhia das empresas envolvidas em acertos 5% do valor pago pelo governo. Desse valor, segundo Miranda, 70% era destinado a Cabral e 30% ficava com o então secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes.

O processo em que Miranda prestou depoimento na quarta-feira refere-se ao esquema que teria sido montado nessa secretaria, sob a liderança de Cabral e Cortes. Miranda afirmou ao juiz que nunca participou da negociação das propinas, mas que recebia informações sobre os contratos firmados e tinha a função de recolher o dinheiro com as empresas envolvidas no esquema.

Ele ainda relatou que no fim de 2010 tornou-se alvo de uma investigação – na Operação Castelo de Areia – e recebeu orientação de Cabral para se “expor menos”. Passou então a dividir a função com outro operador, Luiz Carlos Bezerra, que, segundo Miranda, concentrou o recolhimento de propina de 2011 a 2014.

Miranda disse que se arrepende de ter participado do esquema de corrupção. “A gente não pode voltar no tempo, mas hoje vejo o mal que isso causou, principalmente para mim”, afirmou. O depoimento do operador ocorreu minutos após Cabral afirmar, também em depoimento a Bretas, que nunca havia cobrado propina – ele admitiu apenas usar para despesas pessoais sobras do dinheiro recolhido por meio de caixa 2 nas campanhas eleitorais.

Na audiência de Miranda, os advogados de Cabral quiseram perguntar a ele por que não havia admitido esses fatos nos depoimentos anteriores e se havia sido informado pelos advogados sobre “o que vai ganhar” com a confissão. O juiz Marcelo Bretas, no entanto, indeferiu as perguntas, por considerá-las inadequadas.

Desculpas

Cabral pediu desculpas na quarta-feira ao juiz Marcelo Bretas pela discussão durante interrogatório há duas semanas em audiência. Em interrogatório em em ação penal em que é acusado por desvios no setor de saúde, ele negou também ter determinado a fabricação de dossiês contra o magistrado.

“Jamais faria isso. Acredite na minha índole. É um factoide, um terrorismo feito por alguém maldosamente”, disse Cabral. O peemedebista também declarou que foi “infeliz nas colocações” feitas no último interrogatório. Na ocasião, Cabral mencionou a família de Bretas e disse que o juiz estava usando os processos para se promover.

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