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Mundo Pequim diz que “está pronta para conter os Estados Unidos” em meio a exercícios navais no Mar do Sul da China

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Para chancelaria chinesa, líderes americanos sequestram opinião pública para obter ganhos políticos. (Foto: Reprodução)

Em uma rara interseção de exercícios navais das duas potências rivais em uma das regiões mais tensas da Ásia, os Estados Unidos e a China posicionaram embarcações militares em vários pontos do Mar do Sul da China, alvo de uma série de disputas territoriais. Pequim deixou clara sua insatisfação com a presença de navios americanos em uma área que considera sua, e declarou, nesta segunda-feira (6), que Washington tem “outras motivações”.

“Os EUA enviaram, de forma intencional, um contingente militar para exercícios de grande escala no Mar do Sul da China, para mostrar sua força”, disse o porta-voz da Chancelaria chinesa, Zhao Lijian, em entrevista coletiva. “Eles têm outras motivações. Os EUA criam divisões entre as nações da área e militarizam o Mar do Sul da China.”

Um ex-oficial da Marinha especialista em temas navais afirmou ainda que os chineses estão preparados para “conter ameaças” dos EUA.

“O compromisso chinês de salvaguardar sua integridade territorial, sua soberania e seus interesses marítimos não será amenizado depois da última ameaça interposta pelos EUA. Os militares chineses estão preparados e vão lidar com a ameaça de forma tranquila”, afirmou Wang Yunfei, em entrevista ao canal de TV semiestatal Phoenix TV.

Muito embora sem incidentes práticos entre as duas Marinhas (“Eles nos viram e nós os vimos”, afirmou a jornalistas o almirante James Kirk, a bordo do porta-aviões USS Nimitz, no fim de semana), a realização simultânea das operações, que oficialmente não são relacionadas entre si, deixa à mostra o nível das tensões militares, políticas e estratégicas na área.

Os exercícios chineses começaram na quarta-feira passada (1º) e seguiram até o domingo (5), e se localizaram perto de um arquipélago disputado pela China e pelo Vietnã, as ilhas Paracel. Pequim as considera parte de seu território e disse estar em seus plenos direitos ao levar as embarcações para a área.

Mas países como as Filipinas e o Vietnã, que também têm interesses territoriais na área, criticaram a operação, contando com o apoio dos EUA na questão. Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores do Vietnã disse que as ações eram uma violação da sua soberania, e que isso poderia prejudicar as relações da China com os demais países asiáticos. Para o Secretário de Defesa das Filipinas, os exercícios foram “extremamente provocativos”.

Na mesma linha, o Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou que Pequim agia para “garantir posições marítimas ilegais e prejudicar as nações vizinhas do Sudeste Asiático”.

“As ações da China contrastam com suas promessas de não militarizar o Mar do Sul da China e com a visão dos EUA para uma região Indo-Pacífica livre e aberta”, declarou o departamento, em comunicado divulgado na semana passada.

No sábado (4), o Pentágono anunciou que dois porta-aviões — USS Nimitz e USS Ronald Reagan — se dirigiram à região para, segundo os militares, uma operação de rotina. Em entrevista ao jornal The New York Times, um porta-voz da Frota do Pacífico disse que “ela não era uma resposta a qualquer evento político e internacional”, uma menção indireta aos chineses. As operações também contam com a participação de embarcações menores e aeronaves.

Na semana passada, manobras realizadas pela Marinha americana na região provocaram reações enérgicas de Pequim.

“Essa conduta provocativa dos EUA viola, de maneira grave, as leis e as regras internacionais relevantes, violando de forma séria a soberania chinesa e seus interesses de segurança”, declarou o coronel Li Huamin, responsável por operações na área, em entrevista ao jornal Global Times, ligado ao Partido Comunista da China.

Analistas apontam para o fato do envio de navios militares ser usado de forma rotineira como um “recado” dos EUA a determinado país, uma estratégia que já foi usada na região em um passado próximo. Como lembra o The New York Times, em 2016, o então secretário de Defesa, Ashton Carter, esteve a bordo de dois porta-aviões que passavam pela região, um ato visto como exemplo do compromisso de Washington com seus aliados na área.

Ponto de tensão

O Mar do Sul da China se estende por uma área de 3,5 milhões de km² que inclui sete países e Taiwan, considerada uma província rebelde por Pequim. Ele tem importância estratégica para a região: é uma das principais rotas navais do planeta, por onde passa uma grande quantidade de navios comerciais. Também é uma área de intensa atividade pesqueira e, de certa forma, de exploração de petróleo e gás natural.

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