Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 15 de junho de 2015
As duas principais subsidiárias da Petrobras, a Transpetro e a BR Distribuidora, reconheceram em seus balanços de 2014 perdas de 279,6 milhões de reais devido aos casos de corrupção investigados na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.
Com isso, o valor desviado da estatal e de suas subsidiárias chega a quase 6,5 bilhões de reais – a Petrobras reconheceu em seu balanço baixas de 6,2 bilhões de reais. A Transpetro, dona de navios e oleodutos da estatal, e a BR Distribuidora, proprietária de postos de combustíveis, não têm capital aberto, mas divulgam balanços nos seus sites e em jornais.
As baixas ocorreram no terceiro trimestre do ano passado. A conta foi feita seguindo modelo adotado pela própria Petrobras. Sem ter como determinar em quais obras e serviços ocorreram desvios, as subsidiárias consideraram que houve superfaturamento de 3% em todos os contratos firmados com 27 empresas entre 2004 e 2012.
O valor total dos contratos da Transpetro com empresas investigadas na Lava-Jato chegou a 8,8 bilhões de reais, 256,6 milhões de reais dos quais teriam sido fruto de superfaturamento. Desse total, 218,9 milhões de reais (85%) são da área de transporte marítimo, que lida com encomendas a estaleiros, cujas sócias são empresas investigadas na operação. O restante refere-se a obras de terminais e oleodutos.
Navios
Em 2004, no primeiro mandato de Lula, a Transpetro foi incumbida de revitalizar a indústria naval, lançando um programa de modernização de frota que encomendou um total de 49 novos navios petroleiros. Muitos estaleiros foram construídos somente para atender às encomendas. Onze anos após o lançamento do programa, apenas oito navios foram entregues.
Indicação pessoal do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado perdeu seu cargo em fevereiro deste ano, após 12 anos no comando da subsidiária. O ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso durante a Lava-Jato e que firmou acordo de delação premiada, disse que Machado recebeu propina de 500 mil reais do esquema, o que ele nega.
Na BR Distribuidora, a baixa contábil é de 23 milhões de reais, referente a contratos no valor de 793 milhões de reais. A BR tem cerca de 7 mil postos de combustíveis pelo País –o balanço não deixa claro a origem dos contratos suspeitos. A BR Distribuidora e a Transpetro ressaltaram que há dois escritórios de advocacia conduzindo investigações internas sobre os desvios apurados pela Lava-Jato. As empresas disseram ainda que nenhum pagamento indevido foi feito pelas companhias, mas sim por um cartel com a conivência de funcionários da estatal. (Lucas Vettorazzo e Italo Nogueira/Folhapress)
Os comentários estão desativados.