Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de setembro de 2021
Realizada em agosto pela Federação do Comércio de Bens e de Serviços (Fecomércio), a mais recente edição da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) apontou leve queda de 79,4% para 79,3% no índice de famílias gaúchas endividadas, na comparação com julho. Na prática, equivale a dizer que de cada dez lares, oito enfrentam esse tipo de problema.
O resultado é considerado alto pela entidade e ficou entre os maiores do País. Na faixa de até dez salários-mínimos, a proporção de núcleos familiares com esse tipo de pendência financeira foi de 82%. Já para aquelas situadas acima desse patamar, o nível ficou em 68,2% no período.
Apesar do alto índice de endividamento, a média de comprometimento da renda foi de 20%, o que também representa um cenário praticamente inalterado, já que no mês anterior havia ficado em 19,9%. Para se ter uma ideia mais abrangente, na mesma época em 2020 o estudo indicou 25,6%.
O percentual de famílias com contas em atraso, dentre o total de entrevistados, foi de 22,4%, também com pouca diferença em relação ao relatório do mês anterior (22,3%). Em agosto do ano passado, estava maior (27,8%).
A parcela da renda comprometida com dívidas ficou praticamente estável na média (20%). Ao mesmo tempo, houve redução no percentual de famílias que relataram sua condição como sendo “muito endividadas” (14,6%) na comparação com julho.
O levantamento também mostra que, apesar do fraco desempenho no que se refere aos indicadores do mercado de trabalho, as famílias não relataram piora nas condições de endividamento.
Para o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, muitos são os fatores que contribuem para tal panorama. “A redução do consumo e busca pelo equilíbrio orçamentário domiciliar tem contribuído para esse processo, conforme já destacado em edições anteriores da pesquisa”, sublinha.
Outra dado que destacado pelo estudo é a taxa de famílias que não terão condições de quitar suas dívidas dentro dos próximos 30 dias: 4,5%. Trata-se do menor índice desde agosto de 2018 (3,9%).
Comprometimento da renda anual
Já o tempo de comprometimento do ano com pendências financeiras (5,9 meses) ficou maior do que em julho, mas permanece baixo em termos históricos. “Aos poucos, o crédito foi ganhando espaço como alternativa de consumo em um período em que a renda gerada pelo trabalho diminuiu”, avalia o dirigente da Fecomércio-RS.
“Estamos vivendo uma situação econômica ainda muito delicada”, finalizou Bohn. “Entretanto, ainda não temos sinais de inadimplência sistêmica, o que é muito bom tanto para os consumidores quanto para os negócios.”
A realidade gaúcha evidenciada pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor pode ser conferida de forma ainda mais detalhada no site fecomercio-rs.org.br.
(Marcello Campos)
Voltar Todas de Rio Grande do Sul
Os comentários estão desativados.