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Brasil Pesquisa do IBGE constatou conquistas expressivas nos itens como casamento e guarda dos filhos

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A manifestação 8M reúne pessoas em luta por direitos femininos no Dia Internacional da Mulher. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A sociedade brasileira desenhada pela pesquisa Estatísticas do Registro Civil, do IBGE, está em sintonia com a evolução comportamental em curso no mundo todo, inclusive em países em estágio mais avançado de desenvolvimento.

Desde os anos 1970, quando a pesquisa começou a ser feita, cai o número de nascimentos, reduzindo a taxa de crescimento populacional, tendência generalizada no planeta. A população tende a envelhecer e, dentro desse novo quadro, as mudanças comportamentais se consolidam.

A mudança para melhor no lugar da mulher na sociedade brasileira é um dos destaques da pesquisa. Nos últimos anos houve queda expressiva na proporção de jovens que se tornaram mães com 20 anos ou menos. Em 2000, elas eram 21% das mães que registraram seus filhos. Dez anos depois, a proporção caíra para 18,5%. Há dois anos, estava em apenas 12%.

A explicação mais óbvia para a queda é o avanço da educação formal das mulheres, movidas por outras aspirações além da maternidade, em especial no campo profissional. Talvez por isso, a idade das mães esteja em alta. Há 23 anos a faixa etária entre 20 e 29 anos representava 54,5% do total. Em 2022 o peso dessa faixa caíra para 49%. Ao mesmo tempo, a proporção de mães com mais de 30 anos subiu para 34,5%. O segmento de 40 anos ou mais dobrou de 2% para 4% em pouco mais de uma década.

Casamentos retomados

Outra tendência verificada em 2022 foi a retomada dos casamentos, depois de um período de queda associado à pandemia. Desta vez, os casais são mais velhos. Em 2010, os noivos tinham em média 29 anos e as noivas 26. Passados 12 anos, os homens casavam em média com 31 anos e as mulheres com 29. O enlace de casais mais maduros costuma evitar dificuldades no relacionamento, comuns quando casais mais jovens passam a morar sob o mesmo teto.

Mesmo assim, as separações se tornaram mais frequentes. Em 2022 o total ficou quase 9% acima de 2021. Os divórcios com dez anos ou menos de união passaram, entre 2010 e 2022, de 37,4% para 47,7% do total. Está nesta faixa a maioria das separações. Em nenhuma região do País, mesmo nas que possam ser consideradas mais conservadoras, houve queda nas separações.

Guarda compartilhada

A guarda dos filhos menores depois do divórcio costuma ser motivo de desentendimento. De 2014 a 2022, porém, cresceu a proporção da guarda compartilhada (de 7,5% para 37,8%), a solução mais equilibrada que reflete o amadurecimento da sociedade. Há dez anos, o encargo dos filhos, em 85,1% das separações, ficava exclusivamente com a mãe.

O Brasil em seu caminho inexorável de transformação numa sociedade urbana, apesar de todas as disparidades, amplia o conceito de família, incluindo as formadas por casais do mesmo sexo, e abre mais espaço para as mulheres. A modernização dos costumes deve ser celebrada. As informações são do O Globo.

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