Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de maio de 2020
Uma combinação de três medicamentos antivirais, em conjunto com um impulsionador do sistema imunológico, pode ajudar alguns pacientes com Covid-19 a melhorar mais rapidamente da infecção. A conclusão é de um estudo feito por médicos em Hong Kong.
Kwok-Yung Yuen e colegas da Universidade de Hong Kong têm testado os medicamentos ritonavir e lopanivir, habitualmente usados em pacientes com HIV, juntamente com o antiviral ribavirin e outra medicação utilizada em doentes com esclerose múltipla.
Os pacientes submetidos a esses testes tinham sintomas ligeiros ou moderados e foram tratados sete dias depois de teste positivo para a Covid-19. De acordo com os pesquisadores, a combinação de medicamentos fez com que os infectados se sentissem melhor após quatro dias. Os médicos acrescentaram que os efeitos colaterais foram muito poucos.
Além disso, os pacientes que receberam esse coquetel de medicamentos tiveram teste negativo para a covid-19 depois de sete dias de tratamento, em média. Aqueles que receberam apenas os medicamentos para o HIV e não os restantes, tiveram teste negativo após 12 dias.
“A tripla terapia antiviral foi segura e superior à administração de apenas ritonavir e iopanivir, conseguindo aliviar sintomas e encurtar a disseminação do vírus no corpo, reduzindo ainda o tempo de internamento dos pacientes com sintomas ligeiros a moderados”, diz o estudo publicado na revista científica Lancet.
Atualmente, o único medicamento autorizado para o tratamento de doentes com Covid-19 é o antiviral remdesivir, que também tem ajudado na recuperação. Muitos hospitais queixam-se, porém, de não terem acesso a esse remédio.
Peter Chin-Hong, médico que cuida de pacientes com Covid-19 na Califórnia, acredita que o estudo oferece esperança na luta contra a pandemia. “A investigação é muito refrescante porque nos diz que o remdesivir não é o único medicamento que existe e que pode haver outras opções disponíveis”, afirmou.
“Esses medicamentos têm longo histórico de segurança”, explicou. “Talvez possamos usufruir deles enquanto não houver uma solução mágica”. Muitos grupos de cientistas estão, neste momento, testando combinações de medicamentos que possam ser eficazes contra a Covid-19, apesar de todos concordarem que essa não será uma cura para a doença.
“Com a Covid-19, não temos o luxo do tempo”, considerou Chin-Hong. “Esse é um dos casos em que estamos a ensinar novos truques a velhos medicamentos. Não temos tempo para produzir racionalmente um medicamento do início ao fim, porque a crise está ocorrendo agora. Temos de usar aquilo que já temos”. O novo coronavírus já infectou quase 4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais 274 mil morreram. O número de recuperados é agora superior a 1 milhão.
Cloroquina
O maior estudo já realizado até o momento com a hidroxicloroquina mostrou que não há qualquer benefício do uso dela no tratamento da Covid-19. A droga não evitou que pacientes fossem parar no respirador nem reduziu a taxa de mortalidade. O estudo passou por revisão por pares e foi publicado na New England Journal of Medicine (NEJM), uma das mais conceituadas revistas de pesquisa médica do mundo.
A revista lembra que a suposição de que cloroquina e hidroxicloroquina, com ou sem combinação com azitromicina, teriam ação terapêutica contra a Covid-19 é baseada, principalmente, em relatos de médicos e, até agora, não teve comprovação por qualquer estudo capaz de sobreviver à revisão por pares.
Ainda assim, essas drogas tiveram a suposta ação anti-Covid-19 defendida publicamente pelos presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos EUA, Donald Trump. Essas drogas não são uma panaceia contra o coronavírus, alertou a NEJM.
O novo estudo foi realizado com 1.376 pacientes com Covid-19 atendidos pelo Hospital Presbiteriano, da Universidade de Columbia, em Nova York. A pesquisa foi observacional, isto é, os cientistas não realizaram experimentos específicos com a droga e sim avaliaram o resultado do tratamento com elas administrado por médicos do hospital.
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