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Brasil Estudo brasileiro mostra que coronavírus pode ficar suspenso no ar

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A possibilidade de transmissão direta é considerada de “possível a provável”. (Foto: Reprodução)

Pesquisadores do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), sediado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), comprovaram a presença do coronavírus em partículas do ar.

A pesquisa, que está sendo desenvolvida desde o ano passado, é um dos poucos estudos no mundo que conseguiram apresentar essa evidência e reforça o alerta para o risco existente em locais mal ventilados ou com pouca circulação do ar.

“Os principais resultados dessa etapa da pesquisa são importantes porque apresentam evidências, baseadas em métodos científicos, da presença de coronavírus em aerossóis. Mais uma comprovação científica de que o coronavírus pode estar no ar”, disse o pesquisador Ricardo Passos.

No começo de julho de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu “evidências emergentes” de transmissão do coronavírus pelo ar, depois que um grupo de cientistas cobrou o organismo global a atualizar suas orientações sobre como a doença respiratória se espalha.

Um artigo com esses resultados, assinado por Passos, Marina Silveira e Jônatas Abrahão, foi publicado na última edição da revista “Environmental Research”.

Os aerossóis, foco dessa pesquisa, são partículas microscópicas e invisíveis, que, pelo baixo peso e massa, têm a tendência de ficar suspensos no ar. O estudo, feito em parceria com o Instituto de Ciência Biológicas da UFMG, analisou dois hospitais de Belo Horizonte, em dois momentos diferentes da pandemia, além de ambientes externos, como pontos de ônibus, estacionamentos e calçadas.

Segundo Passos, a intenção não era estudar a transmissão do vírus por gotículas de saliva, que podem chegar a 1 ou 2 metros, mas, sim, essas partículas invisíveis, que podem atingir distâncias maiores.

“Essa evidência vem se juntar a alguns outros relatos já publicados em outros países no intuito de se chamar a atenção para essa rota de transmissão aérea”, afirma.

A escolha da realização da pesquisa em hospitais não se deu ao acaso. “Para comprovar a presença desse vírus no ar, a gente usou ambientes hospitalares como modelo, como ambiente controlado, em que a gente saberia que havia a presença de pacientes contaminados, ou seja, uma fonte de aerossóis contaminados e também que haveria o controle rigoroso quanto ao uso de EPIs pela equipe do hospital”, explica o pesquisador.

Para chegar aos resultados e validar a hipótese inicial, os pesquisadores do CDTN, órgão vinculado à Comissão de Energia Nuclear (CNEN) e ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTIC), usaram equipamentos capazes de sugar o ar e fazê-lo passar em membranas filtrantes. E, mesmo diante de todas as dificuldades em se fazer essa “captura”, o estudo conseguiu verificar a presença do vírus em cinco amostras, por meio da identificação do código genético do SARS-CoV-2.

As coletas foram feitas entre 25 de maio e 4 de junho em um hospital e entre 9 de junho e 17 de julho no outro. Os nomes das unidade de saúde não foram divulgados. Já os ambientes externos foram monitorados de 25 de maio a 6 de agosto.

As amostras com coronavírus foram encontradas no segundo hospital, em quatro ambientes, entre eles o CTI. Passos chama a atenção para dois fatores: o agravamento da pandemia no início do segundo semestre, aumentando a taxa de ocupação de leitos, e a presença de um sistema de circulação de ar menos eficiente.

O pesquisador destaca que em uma das salas onde o vírus foi encontrado havia inclusive ventilação natural, mas pouca circulação do ar. Nos ambientes externos, não houve amostras que contivessem o vírus.

Risco de ambientes mal ventilados

Diante das evidências científicas de que o coronavírus está no ar, o pesquisador acredita que deveriam ser pensadas estratégias mais efetivas para evitar a transmissão da Covid-19 pela rota aérea.

Para exemplificar a forma como o vírus se espalha, Passos recorre a uma cena simples do cotidiano: a de uma pessoa fumando. Da mesma forma, o coronavírus pode se espalhar pelo ar, quando uma pessoa está respirando, falando ou mesmo cantando.

“Esses aerossóis que são gerados podem se acumular nesses ambientes e vir a constituir uma fonte muito significativa de contaminação”, diz. Ele acrescenta que, nesse caso, o risco existe mesmo que as pessoas estejam distantes uma da outra ou até depois que a pessoa contaminada tenha deixado o ambiente. Por isso, o risco em locais sem uma ventilação eficiente, como casas de shows ou bares, é alto.

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