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Por Redação O Sul | 29 de abril de 2021
Pesquisadores da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com a ONG de preservação ambiental Projeto Dacnis, descobriram uma nova espécie de sapo fluorescente na Serra da Mantiqueira, localizada nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. A descoberta foi registrada em estudo publicado nesta semana na revista científica Plos One.
Com menos de dois centímetros de tamanho, o sapo é perceptível a olho nu no chão repleto de folhas da Serra da Mantiqueira por conta de sua coloração amarelada fluorescente. Cientistas alertam, no entanto, que a nova espécie depende de cuidados com o meio ambiente da região para não entrar logo na lista de animais em risco de extinção.
O zoólogo Ivan Nunes, da Unesp, estudou o comportamento, o habitat e o ecossistema dessa nova espécie, a pedido do Projeto Dacnis. De acordo com o pesquisador, apesar de não ser rara, a espécie tem material genético antigo e costuma viver no interior de florestas bem preservadas, com atividade diurna.
Os resultados da pesquisa são importantes para compreender onde os sapos habitam e como preservá-los: “Acreditamos que esta espécie só exista nessa região, que, por conta da forte presença humana, tem perdido área de mata”, afirma.
Identificada exclusivamente na Serra da Mantiqueira, a nova espécie depende do respeito ao ecossistema para não entrar na lista de animais que correm risco de extinção. Segundo Nunes, nos últimos anos, foi registrado o aumento da interferência humana na região, e crescente desmatamento, sobretudo no estado de Minas Gerais, enquanto em São Paulo, há maior preservação devido ao alto número de parques naturais.
O especialista afirma que dois fatores interferem na identificação de uma espécie entre as que sofrem risco de extinção: hábitos do animal e tamanho do território.
“Pode parecer um trabalho de base, mas ele pode servir até, com um refinamento de documentos, para a formulação de políticas públicas voltadas para a preservação do habitat natural das espécies”, explica o professor.
A tonalidade fluorescente do sapo não é apenas bonita. Segundo o pesquisador, ela mostra que há um grau de toxicidade nos animais.
Se houver contato direto com o sapo não se deve tocar em alimentos ou coçar os olhos nem a boca, pois há risco de irritações, ainda que nenhuma reação considerada grave.
Esse grau tóxico na pele é um mecanismo de defesa do animal: “A cor chamativa já indica isso para alguns predadores, que evitam, assim, comê-los. É um aviso: ‘olha, eu tenho veneno. Se você me comer, vai passar mal'”, explica Nunes.
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