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Bem-Estar Pesquisadores brasileiros trabalham no desenvolvimento de vacina contra a Covid-19

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Embora promissor, o trabalho ainda está longe de ser concluído

Foto: Reprodução
A taxa de letalidade (número de mortes pelo total de casos) ficou em 4,5% no Brasil. (Foto: Reprodução)

Em todo o mundo, cerca de 200 grupos de cientistas trabalham intensamente no desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz contra a Covid-19. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), pelo menos oito vacinas já iniciaram a fase clínica, de testes em pessoas.

Uma equipe brasileira composta por 15 pessoas é liderada pelo pesquisador Alexandre Vieira Machado, da Fiocruz em Minas Gerais, em parceria com outras instituições, como a Universidade Federal de Minas Gerais, o Instituto Butantã, a Universidade de São Paulo e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Segundo Machado, o Instituto do Coração de São Paulo também trabalha no desenvolvimento de uma vacina, liderado pelo médico Jorge Kalil, e há troca de informações entre as duas equipes. “Esperamos que nós possamos utilizar a  vacina deles junto com a nossa em alguns testes”, diz Machado.

A atual pandemia de Covid-19 é causada pelo novo coronavírus, chamado tecnicamente de Sars-CoV-2, uma mutação do vírus Sars-CoV-1, que provoca a Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars, na sigla em inglês). Outro tipo de coronavírus causa a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês).

Covid-19 significa Corona Virus Disease – doença do coronavírus, em português. O 19 se refere a 2019, ano em que foram divulgados os primeiros casos em Wuhan, na China.

Machado explica que o vírus Sars-CoV-1 desapareceu depois do surto de 2002, e as pesquisas com ele foram interrompidas, por isso agora há mais dificuldade de se encontrar a vacina, com a pandemia em andamento e com um vírus muito mais contagioso e que causa uma doença grave. “É como ter que trocar o pneu de um carro em movimento descendo uma ribanceira”, diz o pesquisador.

“Não tem vacina para o Sars-CoV. É uma coisa muito triste e um recado para a ciência e para as agências de fomento. Somos frequentemente confrontados com doenças novas, como zika e chikungunya, e a volta de outras, como sarampo e febre amarela. Isso desvia o foco das linhas de pesquisa e dos investimentos em vacina. Isso é ruim porque, se nós tivéssemos uma vacina aprovada para Sars-CoV-1, mesmo que fosse em fase clínica, em uma plataforma que funcionasse, a gente poderia ter pulado algumas etapas”, destaca.

O pesquisador explica que o trabalho da sua equipe está sendo feito a partir de algum conhecimento acumulado com o Sars-CoV-1 e usa como base o vírus influenza recombinante, outra doença com sintomas respiratórios e mais grave em idosos, assim como a Covid-19. “Nós modificamos geneticamente o vírus da gripe, que é o vírus influenza, para que ele produza tanto as proteínas do vírus da gripe quanto uma proteína que nós chamamos de imunogênica, uma proteína que induz resposta imune, no caso ao Sars-CoV-2. Esperamos que uma pessoa vacinada com esse vírus tenha uma proteção contra a Covid-19 e também à influenza.”

Porém, embora promissor, o trabalho ainda está longe de ser concluído. Segundo o pesquisador, o desenvolvimento laboratorial, com testes em camundongos, deve ser concluído em meados do ano que vem, para só então iniciar a fase clínica, que é mais complexa e cara, pois exige mais estrutura, pessoal especializado e condições sanitárias específicas.

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