Terça-feira, 12 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de maio de 2026
Submetidas a análises por equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), amostras da água do Guaíba de quatro locais de Porto Alegre apontaram a presença da superbactéria Acinetobacter baumannii. Há possibilidade de que seja o mesmo microorganismo resistente a antibióticos e que recentemente esteve associado a surto na unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal do Hospital Fêmina, causando a morte de um bebê prematuro.
Não há, porém, motivo para pânico mediato – embora o assunto dê margem a preocupações. Conforme os cientistas, todos os testes encontraram a bactéria somente em ambientes naturais, sem traços de presença na água que é passa por tratamento para distribuição pelo Departamento Municipal de Água de Esgotos (Dmae).
O material havia sido coletado nas praias do Lami e Ipanema (ambas na Zona Sul da capital gaúcha), bem como no trecho final do Arroio Dilúvio (bairro Praia de Belas) e próximo à Estação de Bombeamento de Água Pluvial (Ebap) do Menino Deus. Nesta última, 14 diferentes fármacos não se mostraram suficientes para sua eliminação.
Não por acaso, em 2024 a preocupação global com a Acinetobacter baumannii fez com que passasse a constar em relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos microorganismos desse tipo mais perigosos no planeta. Dentre os critérios levados em conta estão os índices de transmissibilidade, mortalidade e a já mencionada resistência a antibióticos.
Ainda não há confirmação de que a bactéria que contaminou o setor neonatal da UTI do Fêmina tenha sido procedente do Guaíba. Até o momento, a suspeita aponta para fatores dentro da própria instituição – de qualquer forma, material biológico despejados por instituições de saúde na rede de esgotos da capital gaúcha sem os devidos protocolos sanitários podem ter influência na situação.
Comunicado
Os membros do colegiado atuam no projeto “Climares Wash” (CW), do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS (climareswashbrasil.com). Eles divulgaram nota técnica, repercutida pela imprensa:
“Este achado reforça que a vigilância ambiental é uma ferramenta essencial para a saúde pública. Mais do que identificar a presença de bactérias resistentes em ambientes aquáticos urbanos, é necessário compreender suas fontes, acompanhar sua disseminação e avançar em estratégias de saneamento, desinfecção e tratamento capazes de reduzir bactérias resistentes e genes de resistência antimicrobiana”.
Trata-se de uma iniciativa voltada ao fortalecimento da resiliência climática no setor de água, saneamento e saúde , unindo pesquisa, inovação e gestão para enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Atuam de forma integrada instituições de ensino e pesquisa, agências reguladoras e empresas, aproximando ciência, gestão pública e setor produtivo.
Dentre os objetivos está o de transformar conhecimento em ações concretas de adaptação e mitigação, especialmente no contexto do Rio Grande do Sul e do Brasil. A iniciativa está vinculada ao Centro de Referência Internacional em Estudos Relacionados às Mudanças Climáticas (Criec) e conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).
(Marcello Campos)
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