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Saúde Pessoas com aids estão morrendo cada vez menos

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No Brasil, apenas as regiões Sudeste e Sul apresentam tendência significativa de queda de mortalidade. (Crédito: Reprodução)

Há algumas décadas, o tratamento para aids avança, reduzindo drasticamente as mortes por infecções oportunistas relacionadas à doença. Um novo estudo realizado com base em 30 anos de dados de mais de 20 mil pacientes em São Francisco (EUA) sugere, no entanto, que ainda há muito chão a percorrer.

A pesquisa, publicada no Journal of Infectious Diseases, revelou que cerca de um terço (35%) dos pacientes de aids diagnosticados com sua primeira infecção oportunista entre 1997 e 2012 morreram no prazo de cinco anos. A equipe analisou dados de vigilância de HIV recolhidos continuamente pelo Departamento de Saúde Pública de São Francisco em infecções oportunistas iniciais e subsequentes, em toda a cidade, a partir de 1981. “Embora pesquisas recentes sugiram que muitas infecções oportunistas nos EUA sejam agora menos comuns e, muitas vezes, menos letais, não podemos esquecê-las”, disse Kpandja Djawe, estudioso do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, na sigla em inglês) e principal autor do estudo.

De acordo com o levantamento, uma infecção não tratada de HIV progride para aids, infecções oportunistas e cânceres. Estas enfermidades eram comuns durante os primeiros anos da epidemia dos EUA, quando a morte muitas vezes acontecia rapidamente depois de um diagnóstico de aids. De 1981 a 1986, apenas 7% dos pacientes na cidade com diagnóstico de sua primeira infecção oportunista viveram mais de cinco anos.

Desde então, com os avanços da Tarv (terapia antirretroviral), maior disponibilidade de testes de HIV e melhorias no tratamento de doenças oportunistas, as taxas de sobrevivência foram significativamente maiores (os restantes 65% do estudo entre 1997 e 2012 conseguiram sobreviver cinco anos ou mais após o diagnóstico).
Esse fenômeno também é observado no Brasil. Há uma tendência significativa de queda nos últimos dez anos em boa parte do País: o número de óbitos passou de 6,1 para cada 100 mil habitantes em 2004 para 5,7 em 2013, representando uma queda de 6,6%.
Mas, como apontam os autores do estudo de São Francisco, o fato de que um terço dos doentes pesquisados morreu até 60 meses após a detecção revela que ainda há trabalho a ser feito. “Melhores estratégias de prevenção e tratamento, incluindo o diagnóstico precoce do HIV, são necessárias para diminuir a carga de infecções oportunistas, mesmo hoje, na era dos antirretrovirais”, apontou Sandra Schwarcz, epidemiologista sênior de HIV no Departamento de Saúde Pública de São Francisco.
Algumas dessas infecções, como a LMP (leucoencefalopatia multifocal progressiva), e cânceres relacionados, incluindo o linfoma cerebral, permanecem associadas com um substancial risco de mortalidade. Além disso, os resultados de saúde em São Francisco podem ser mais favoráveis do que em algumas outras partes dos EUA, onde os programas de teste e tratamento do HIV podem ser menos robustos. “Os resultados são encorajadores, mas sublinham a necessidade de manter o foco sobre o potencial de infecções oportunistas de causarem doenças devastadoras”, comentaram, no estudo, Henry Masur e Sarah W. Read, do Instituto Nacional de Saúde americano.

Quadro nacional.

No Brasil, vale lembrar, apenas as regiões Sudeste e Sul apresentam tendência significativa de queda de mortalidade, sendo esta mais acentuada no Sudeste (26,3%). Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de crescimento nos últimos dez anos; no Norte, a taxa aumentou 75%, passando de quatro óbitos para cada 100 mil habitantes em 2004 para 7, em 2013, e no Nordeste, aumentou 41,9%, passando de 3,1 para 4,4 óbitos para cada 100 mil habitantes. A região Centro-Oeste apresentou redução no coeficiente de 4,7 em 2004 para 4,4, em 2013. (AG)

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