Quinta-feira, 05 de março de 2026
Por Redação O Sul | 4 de março de 2026
O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,3% em 2025, mas com uma estagnação no segundo semestre: crescimento zero no terceiro trimestre e de 0,1% no quarto. Essa parada na atividade econômica reflete o aumento dos juros pelo Banco Central, que precisou conter a disparada da inflação, e o alto endividamento das famílias, que segurou o consumo mesmo com o desemprego na mínima histórica.
O número fraco colocará o governo Lula em um dilema a sete meses das eleições. Se entrar em desespero com o dado fraco e acionar novas medidas de aumento de gastos, irá colher apenas inflação, o que forçará o Banco Central a ser ainda mais cauteloso com o ciclo de cortes da Selic que vai começar na reunião do Copom deste mês.
A taxa, hoje em 15%, deve cair 0,5 ponto daqui a duas semanas, a menos que a guerra no Oriente Médio continue pressionando as cotações do petróleo e do dólar, em uma mudança completa de cenário. Esse risco não pode ser descartado e teria um efeito ainda maior sobre o crescimento projetado para este ano.
A Secretaria de Política Econômica (SPE), órgão do Ministério da Fazenda que faz projeções e análises de conjuntura, estima nova alta de 2,3% do PIB de 2026, com um forte crescimento de 1% no primeiro trimestre. Essa melhora no indicador em relação ao quarto trimestre seria explicada por políticas públicas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Isso pode dar um novo gás no consumo, mas a própria SPE admite que o fôlego será curto, com perda de potência ao longo do ano.
Os problemas da economia brasileira são estruturais e não foram enfrentados pela equipe econômica neste mandato. Os gastos públicos sobem acima do teto do novo arcabouço fiscal, a dívida não para de subir, e isso explica a inflação acima do centro da meta e os juros superelevados.
A taxa de poupança permanece extremamente baixa, apesar da pequena alta de 14,1% para 14,4% do PIB entre 2024 e 2025. Já a taxa de investimento teve nova queda, de 16,9% para 16,8%.
Com números assim, nenhum ciclo de crescimento econômico será sustentável. O governo Lula precisa indicar o que vai fazer com as contas públicas caso conquiste um novo mandato, do contrário, colocará em risco os indicadores sociais que melhoraram na atual gestão. (Alvaro Gribel/Agência Estado)
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