Terça-feira, 02 de Junho de 2020

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Bem-Estar Plantas alimentícias não convencionais saem do mato direto para o prato brasileiro

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Pancs: do mato pro prato.

Foto: Divulgação/TV Brasil
Pancs: do mato pro prato. (Foto: Divulgação/TV Brasil.)

O termo Panc nos faz lembrar do Punk, um movimento de contracultura dos anos 1970. Mas o que tratar aqui diz respeito as plantas alimentícias não convencionais (Pancs), que nascem espontaneamente e podem ser encontradas em quintais, lotes e jardins.

Muitos nutricionistas, chefes de cozinha, agrônomos e consumidores que priorizam a alimentação saudável tem exaltado informações sobre a diversidade das Pancs, como o valor nutricional que elas oferecem, além de propagar receitas e modos de preparo de pratos que utilizam essas plantas.

Lepidium, caruru, beldroega, peixinho e azedinha são algumas das 351 espécies de Pancs catalogadas pelo biólogo Valdely Kinupp, o criador da sigla “Panc”. Ele é co-autor de um livro sobre essas plantas.

“A gente sistematizou informações das pessoas do passado, de etnias indígenas do Brasil, de conhecedores tradicionais do Brasil e do mundo que estava disperso em artigos, teses, dissertações, livros atuais, livros de cem, duzentos anos atrás”, diz Kinupp. Segundo ele, o palmito da bananeira e o miolo do mamoeiro, por exemplo, podem ser considerados partes alimentícias não convencionais de plantas convencionais.

A nutricionista Bruna de Oliveira faz diversos preparos com Pancs que encontra em seu quintal e até mesmo no bairro onde mora. Entre as receitas estão chutney de mamão maduro com palma, coração de bananeira em conserva e geleia de hibisco. Jemima Andrade é designer de interiores e também descobriu nas Pancs uma alternativa para compor a alimentação diária de toda a família.

As Pancs já são tema de aulas em cursos de gastronomia e também são usadas em pratos especiais servidos em restaurantes. O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Nuno Rodrigo Madeira ressalta o quanto os alimentos ainda são desperdiçados.

“Dos alimentos convencionais, o desperdício chega a 30%. Se a gente incluir as partes não convencionais, isso deve saltar para 40, 50% da comida que a gente não aproveita. De acordo com Nuno, estudos da Embrapa mostram que as Pancs são nutritivas: o caruru tem alto índice de proteína e a azedinha é rica em vitamina C.

Segundo o engenheiro agrônomo Athaualpa Costa, como as Pancs não acompanharam o processo comercial, surgiu certo preconceito com esses alimentos. “Comer mato é uma coisa que a gente come quando está sem dinheiro, é coisa de pobre: ‘Agora eu tenho dinheiro pra comprar uma alface, agora eu posso comprar um brócolis que é mais caro’. Então, esse processo de abandono total é que é o triste da história. Por que não conhecer mais, por que não buscar isso para o nosso cardápio diário?”.

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