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| Plutão cada vez mais próximo da Terra e cada vez mais esquisito

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Concepção artística da sonda New Horizons se aproximando do sistema plutoniano. (Crédito: Reprodução)

De perto ninguém é normal, já dizia Caetano Veloso, mas Plutão parece levar isso ao extremo. Conforme a sonda New Horizons vai se aproximando a uma velocidade de mais de 1 milhão de quilômetros a cada dia que passa, as imagens que ela envia vão se revelando cada vez mais intrigantes.

Em registro feito há alguns dias, dá para ver que Plutão tem uma mancha brilhante. Bem diferente dos pontos luminosos de Ceres, a mancha está sobre o polo norte do astro que atualmente vive seu verão. No mesmo “lote” de imagens, Caronte, a maior lua de Plutão, mostra uma mancha escura em seu polo sul. Exatamente o contrário do que se vê em Plutão.

Plutão e Caronte se mostram muito diferentes um do outro, sendo que Caronte é muito mais escuro. Entretanto, os dois têm uma característica em comum, ambos mostram uma grande diversidade de terrenos. Que tipos de terrenos? Apesar da proximidade, ainda não é possível dizer, sabe-se apenas, ou melhor, espera-se que haja muito metano congelado em sua superfície.

Essa é outra característica bizarra de Plutão. Ele possui uma atmosfera composta de metano muito rarefeito. A atmosfera parece existir só quando a temperatura por lá aumenta o suficiente para evaporar o metano congelado, em um processo chamado sublimação. Isso acontece a -182°C e a nuvem de metano se eleva sobre a superfície, formando uma espécie de neblina bem tênue.

Um dos objetivos dessa missão é o estudo dessa atmosfera intermitente, mas havia o temor de que ela estivesse congelada e não fosse detectada. Havia. No dia 29 de junho, Plutão passou na frente de uma estrela de fundo e por alguns instantes o planeta anão ocultou a estrela. Esse é o método de ocultação usado por astrônomos para estudo de asteroides e TNOs (objetos transnetunianos), por exemplo. Ele é muito poderoso para se obter algumas características físicas, principalmente o tamanho do objeto. Basta medir o tempo do “apagão” da estrela de fundo, que, com a velocidade do objeto, dá a exata medida do diâmetro do objeto.

Outra coisa que pode ser obtida desse método é a existência ou não de atmosfera ao redor do objeto estudado. É simples, se não houver atmosfera, a luz da estrela simplesmente desaparece quando o objeto entra na sua frente. Se houver alguma coisa envolvendo o objeto, a luz da estrela cai rapidamente, mas de forma um pouco mais suave, conforme o gás vai ficando mais denso mais perto da superfície. E a boa notícia é que foi exatamente isso que aconteceu. A observação da ocultação de uma estrela de fundo por Plutão revelou que sua atmosfera está, digamos, ativa. E sabe o que é mais legal nessa observação? Ela foi efetuada com um telescópio a bordo de um Boeing 747 da Nasa (agência espacial americana) adaptado.

 
Alinhamento.

As ocultações são raras de acontecer, precisam de um alinhamento perfeito entre a estrela, o objeto e a Terra. Mas não é em toda a Terra que a ocultação pode ser vista. Como em um eclipse, uma “sombra” é projetada sobre a superfície e apenas quem estiver nela poderá vê-la. A sombra dessa última ocultação se projetou sobre o oceano próximo à Nova Zelândia e uma sonda foi enviada ao local. Essa observação não detectou o metano, propriamente dito, apenas confirmou a presença de gás. Quem fez a detecção foi a New Horizons, que usou mais um de seus instrumentos, chamado de Ralph, para fazer uma imagem da atmosfera.

E veio de Ralph o último e intrigante registro de Plutão. Ele mostra as duas faces do planeta anão que serão estudadas pela sonda, a face de aproximação, que terá as melhores imagens e a oposta, que só será vista após a passagem da nave, quando ela estiver mais longe. A tão aguardada passagem pelo sistema de Plutão será no próximo dia 14. (Cássio Barbosa/AG)

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