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Geral Polícia Federal diz que general que era ministro da Defesa manipulou relatório das Forças Armadas sobre urnas eletrônicas

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General mudou o tom um dia após reunião golpista. (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados)

Investigação da Polícia Federal (PF) que apura que suspeita de que uma organização criminosa atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito aponta para “gravíssima manipulação” do relatório técnico das Forças Armadas sobre o Sistema Eletrônico de Votação, postergando a divulgação depois que o documento não identificou vulnerabilidade nas urnas eletrônicas. O relatório foi coordenado pelo ministro da Defesa de Bolsonaro, general Paulo Sérgio Nogueira.

“No desdobramento das medidas direcionadas a criar desinformação e notícias fraudulentas contra o sistema eleitoral brasileiro, a autoridade policial também aponta a gravíssima manipulação do relatório técnico das Forças Armadas sobre o Sistema Eletrônico de Votação, coordenada pelo investigado Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, então Ministro da Defesa, postergando-se a sua divulgação em vista de não terem sido identificadas vulnerabilidades no sistema eletrônico de votação”, pontua o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na decisão que autorizou a operação da PF nessa quinta-feira (8).

Conforme Moraes, “a divulgação de que as Forças Armadas não teriam encontrado nenhuma vulnerabilidade nas urnas eletrônicas, segundo os investigados, poderia impactar negativamente em seus propósitos e diminuir a amplificação das notícias fraudulentas disseminadas pelo grupo criminoso e atrapalhar a manutenção da mobilização em frente aos quartéis do Exército, consideradas essenciais para o suporte da execução do golpe de Estado”.

A investigação da PF apura uma organização criminosa que teria atuado para manter o então presidente Jair Bolsonaro no poder por meio de uma tentativa de golpe de Estado. Dentre as apurações, os policiais indicam que havia um plano golpista com o objetivo de prender os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), antes da posse do então eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Reeleição

A Polícia Federal afirmou ainda que o ex-ministro da Defesa e general da reserva do Exército Paulo Sérgio Nogueira admitiu que a finalidade da participação das Forças Armadas na comissão de transparência das eleições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era garantir a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a investigação, a declaração teria sido dada durante reunião de teor golpista em julho de 2022. “O ministro da Defesa faz uma imputação grave ao TSE, afirmando que a Comissão de Transparência Eleitoral seria ‘pra inglês ver’, constituindo um ‘ataque à Democracia’. Diz: ‘Vou falar aqui muito claro. Senhores! A comissão é pra inglês ver. Nunca essa comissão sentou numa mesa e discutiu uma proposta. É retórica, discurso, ataque à Democracia’”. As informações são dos jornais O Globo e Correio Braziliense.

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