Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de fevereiro de 2024
O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Augusto Heleno afirmou, em reunião ministerial com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se “tiver que virar a mesa é antes das eleições”. No encontro, Heleno também afirmou que era necessário agir “contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas”.
A declaração ocorreu durante reunião realizada em julho de 2022. Um vídeo da reunião foi obtido pela Polícia Federal (PF) em um computador apreendido na casa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
A transcrição da reunião é citada na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação da PF dessa quinta-feira (8), que investiga uma tentativa de golpe de Estado e mirou Bolsonaro e aliados. Heleno foi alvo de mandados de busca e apreensão.
“Não vai ter revisão do VAR. Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa é antes das eleições”, declarou Augusto Heleno na ocasião, segundo a transcrição.
Para a PF, a fala “evidencia a necessidade de os órgãos de Estado vinculados ao governo federal atuarem para assegurar a vitória do então presidente”.
Em seguida, também de acordo com a PF, o “então ministro do GSI afirma de forma categórica que deveriam agir contra determinadas instituições e pessoas”.
“Eu acho que as coisas têm que ser feitas antes das eleições. E vai chegar a um ponto que nós não vamos poder mais falar. Nós vamos ter que agir. Agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas. Isso pra mim é muito claro”, concluiu Heleno.
Heleno foi o primeiro comandante da Força de Paz das Nações Unidas no Haiti, entre 2004 e 2005, com um efetivo de 6.250 homens. Ele também foi comandante militar da Amazônia entre 2007 e 2009. Heleno também foi instrutor da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende, no Rio de Janeiro, local onde conheceu o ex-presidente, no final dos anos 1970
O militar, muito antes de se tornar próximo de Bolsonaro, já atuava junto aos chefes do Executivo desde jovem, quando foi nomeado em 1977 ajudante de ordens de Sylvio Frota, então ministro do Exército durante o governo Ernesto Geisel.
O general começou sua formação nas Forças Armadas como cadete, em 1964. Lá ele fez cursos de educação física, paraquedismo militar, mestre de salto e operações na selva.
À frente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, a quem está subordinada a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o general da reserva Augusto Heleno se tornou uma das principais vozes do Palácio do Planalto, diferenciando-se de seus antecessores. Era figura assídua nas transmissões ao vivo feitas pelo presidente no Facebook. As informações são do jornal O Globo.
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