Sábado, 30 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 29 de agosto de 2025
A Polícia Federal (PF) investiga o possível vazamento ilegal da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril para apurar uma fraude de R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O inquérito foi aberto pela superintendência da PF em São Paulo, em 11 de julho, segundo um documento da PF enviado ao gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Até a última segunda-feira (25), Toffoli era o relator de ações na Corte sobre as fraudes do INSS. Agora, os processos sobre as fraudes no INSS tramitam no gabinete do ministro André Mendonça. O sorteio foi feito após um pedido da Procuradoria-Geral da República, que considerou que não havia razão para Toffoli relatar esses casos.
Em 23 de abril, 700 servidores da PF e 80 da Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram 211 mandados de busca em 14 unidades da federação para apurar uma fraude bilionária no INSS. Segundo o governo, aposentados tiveram descontos ilegais de R$ 6,3 bilhões de 2019 a 2024. A operação levou à demissão do ministro da Previdência, Carlos Lupi, e do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.
Após a operação, houve indícios de vazamento de informações sigilosas para investigados. A Justiça Federal encontrou apenas R$ 24,8 mil nas contas da empresa Prospect Consultoria, de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, figura central da investigação. Segundo a PF, o lobista enviou R$ 9 milhões a pessoas ligadas a dirigentes do INSS.
Outra empresa na mira dos investigadores, a Benfix, do empresário Maurício Camisotti, mudou de endereço poucos meses antes da operação da PF. Foi em dezembro, quando a Justiça Federal autorizou uma operação contra o grupo.
CPMI
O relator da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ameaçou dar voz de prisão ao delegado da PF Bruno Bergamaschi, durante reunião sigilosa na última quinta-feira (28).
A situação, conforme informações da CNN Brasil, teria ocorrido no momento em que o delegado era questionado sobre as associações investigadas no esquema de descontos indevidos a aposentadorias e pensões. Diante da recusa a prestar essa informação, o relator teria levantado a possibilidade de decretar voz de prisão à testemunha.
A situação deixou o clima tenso já no início da oitiva, mas foi contornado com a intermediação do presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Durante a reunião, chegou ao conhecimento do colegiado habeas corpus expedido pelo ministro André Mendonça, que autorizava o delegado a tratar de fatos já publicizados sobre as investigações.
Após a reunião, o relator confirmou a jornalistas que houve uma discordância com o delegado sobre o que ele poderia falar. “Nós tivemos uma discordância sobre o que poderia ser falado ou não. Porque tinha muita coisa publicizada e o delegado estava interpretando que mesmo sobre o publicizado e as operações realizadas, ele não poderia falar”, destacou.
A CPMI do INSS realizou na quinta as primeiras oitivas relacionadas à investigação sobre descontos indevidos a aposentadorias e pensões. Os trabalhos foram iniciados com o depoimento de Patrícia Bettin Chaves, coordenadora da Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da DPU (Defensoria Pública da União).
A CPMI investiga o esquema de descontos ilegais na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas que foi revelado em abril após operação da Polícia Federal e CGU. (Com informações de O Estado de S. Paulo e da CNN Brasil)