Sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de novembro de 2015
Quem passa por Molenbeek Saint-Jean se sente mais em um país do Norte da África do que na Europa, tamanha a quantidade de passantes trajando longas túnicas até os pés e de mulheres usando o hijab (tipo de véu das muçulmanas) a circular pelas ruas do bairro, onde se veem lojas de produtos árabes e comida halal. Os moradores desse bairro na Zona Oeste de Bruxelas (Bélgica) são basicamente imigrantes, em sua maioria islâmicos.
Há famílias que passeiam pelas ruas e crianças nos parques, como no resto da cidade. Mas Molenbeek é também conhecido por abrigar religiosos e extremistas. O bairro já exportou vários jihadistas para a Síria. Após os atentados de Paris (França), o ministro do Interior belga, Jan Jambon, declarou que está pronto para “fazer uma limpeza na área”.
Três dos autores dos atentados de sexta-feira em Paris moravam em Molenbeek – dois franceses e um belga. Desde o final de semana, a polícia faz buscas no bairro. A presença de policiais armados e de cães farejadores é maciça na região.
“O islã não tem nada a ver com isso. O islã diz que, se você mata alguém, é como se matasse toda a humanidade. Não se pode suspeitar apenas de Molenbeek”, desabafa um morador que vive no bairro há 35 anos.
Estigmatização
Os jovens da região têm medo da estigmatização. Um deles, que preferiu guardar o anonimato, diz que, “para muitos, Molenbeek é considerada a área perigosa de Bruxelas, bastião do islamismo, dominada pelo radicalismo”. “Mas que retórica é essa? A maioria dos moradores daqui é tranquila.”
(Letícia Fonseca-Sourander/Folhapress)
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