Quarta-feira, 15 de Julho de 2020

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Brasil Policiais fazem selfies com traficante Rogério 157, o “mais procurado” do Rio de Janeiro, após prisão

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Policiais posaram com traficante como se fosse troféu. (Foto: Reprodução/Redes Sociais/Fotos Públicas)

O traficante Rogério 157, preso nesta quarta-feira (6) numa favela do Rio de Janeiro, virou uma celebridade instantânea assim que chegou à Cidade da Polícia, no Jacarezinho (zona Norte).

A prisão do criminoso mais procurado do Rio causou um frisson entre os policiais, que comemoraram o feito com um festival de selfies compartilhado na internet junto ao traficante.

Os cliques que inundaram as redes sociais expõem os agentes sorrindo ao lado de Rogério 157. Em um dos registros, o traficante também se mostra bem feliz e abre um sorriso acompanhado de uma policial armada.

Em outra foto, toda a equipe que prendeu Rogério 157 apareceu segurando armas com o traficante ao centro, desta vez, bem acanhado.

A Polícia Civil não viu com bons olhos o comportamento dos agentes. O delegado Gabriel Ferrando, que comandou as investigações que levaram à prisão do traficante, reprovou a atitude dos policiais. “Não acho certo. Todos os excessos cometidos serão corrigidos na Corregedoria da Polícia Civil”, disse. Na sequência, o próprio delegado fez mea-culpa. “Os policiais estavam numa ‘explosão’, numa comemoração por essa vitória.”

 

Prisão

Rogério Avelino dos Santos, o Rogério 157, foi detido na comunidade do Arará, na zona norte do Rio, durante uma megaoperação das forças policiais.

Ele é apontado como um dos responsáveis por uma disputa territorial pelo comando do tráfico de drogas na favela da Rocinha, na zona sul, que vem provocando mortes e afetando o acesso dos moradores a serviços.

Rogério estava foragido e era o criminoso mais procurado no Rio. A Secretaria de Segurança Pública chegou a oferecer R$ 50 mil de recompensa pelo paradeiro dele. Segundo a polícia, o traficante não ofereceu resistência à prisão.

Por causa da operação, a Clínica da Família Medalhista Olímpico Maurício Silva, na zona norte, está fechada, e a Clínica da Família Dona Zica, na favela da Mangueira, está recebendo pacientes, mas a equipe só faz atendimento dentro da unidade, cancelando visitas às casas de pacientes acamados ou com dificuldade de locomoção.

Unidades escolares na Serrinha, Mangueira, Mandela, Manguinhos, Tuiuti e Benfica estão sem atendimento. No total, são sete escolas, 11 creches, dois Espaços de Desenvolvimento Infantil e 5.998 alunos sem aulas.

Rogério Avelino dos Santos era procurado pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, extorsão e homicídios.

Guerra na favela 

Desde setembro, a Rocinha tem sido palco de tiroteios e assassinatos pela disputa territorial pelo comando da venda de drogas entre os traficantes Nem e Rogério 157. A partir dessa rixa, a crise da segurança se espalhou por ao menos outras seis favelas do Rio.

Nem que até então era líder da facção ADA (Amigos dos Amigos), foi preso em 2011. Segundo as investigações da polícia, de lá para cá, o comando do tráfico na região passou para as mãos de Rogério 157, ex-segurança pessoal de Nem.

Mas houve um racha entre Nem e Rogério 157. Em agosto deste ano, da prisão, Nem deu ordem para que Rogério deixasse o morro, mas ele ignorou. Três aliados de Nem foram encontrados mortos depois disso. Segundo a polícia, as mortes foram executadas a mando de Rogério 157.

No dia 17 de setembro, traficantes da ADA da Rocinha e de outros morros se uniram para invadir a favela e expulsar Rogério 157. Bandidos do Comando Vermelho ofereceram abrigo ao grupo de Rogério em outras comunidades. O traficante teria se tornado membro do Comando Vermelho. Segundo moradores, essa facção atualmente controla a maior parte das bocas de fumo da Rocinha.

Depois de seis dias de confrontos, 950 homens das Forças Armadas cercaram os acessos à Rocinha para tentar prender os envolvidos na disputa.

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