Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de novembro de 2020
Mourão já foi desautorizado por Bolsonaro, que já sugeriu que só não o demite, porque não pode.
Foto: Romério Cunha/VPR“Indemissível”, foi como o presidente Jair Bolsonaro classificou, sem citar nomes, o vice-presidente Hamilton Mourão, ao justificar a única razão para não demitir o responsável por uma discussão do Conselho Nacional da Amazônia Legal que prevê a expropriação de propriedades em caso de crime ambiental. Nesta mesma semana o vice também deu razão ao comandante do exército ao dizer que militares “não querem política” e reconheceu, embora chamando a atenção para a justificativa de que falava “como cidadão”, e que “não falava pelo governo”, a vitória de Joe Biden nas eleições norte-americanas.
Mourão lamentou, na quinta-feira (12), a divulgação da proposta sobre a expropriação de propriedades em caso de crime ambiental, que gerou críticas de Bolsonaro. “Eu me penitencio”, disse ele, sobre não ter colocado sigilo na discussão.
A medida seria um mecanismo para conter o desmatamento e as queimadas ilegais. O presidente, no entanto, chamou a iniciativa de “delírio” e ameaçou demitir os responsáveis, a não ser que fosse alguém “indemissível”, como é o caso do vice-presidente, que foi eleito junto com Bolsonaro.
Nesta sexta-feira (13), além de reconhecer a vitória de Biden, reforçou a fala do comandante do Exército, Edson Pujol, que na quinta-feira (12) afirmou em uma live que os militares não querem “fazer parte da política, muito menos deixar ela entrar nos quartéis”.
Ainda na segunda-feira (9), Bolsonaro deixou claro o mal-estar ao dizer que não havia conversado com o vice sobre Estados Unidos nem sobre qualquer outro assunto, após Mourão contemporizar que “na hora certa” o presidente falaria sobre o resultado.
Política no Exército
Na quinta-feira (12), ao participar de uma live promovida pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa, o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, comentou a necessidade de reaparelhamento das Forças Armadas. “Estamos muito aquém do que o Brasil precisa para que suas Forças Armadas cumpram suas missões constitucionais”, disse Pujol.
“A quantidade de embarcações da nossa Marinha para patrulhar, preservar e defender todo o nosso litoral e nosso extenso mar territorial. A nossa Força Aérea? Pequenos países europeus têm um número de aeronaves maior que todo o Brasil”, comentou.
Pujol comentou sobre a relação sobre militares e política. “Não queremos fazer parte da política governamental ou do Congresso Nacional. Muito menos queremos que a política entre em nossos quartéis”, afirmou o comandante do Exército. “A respeito da política e dos militares, o que tenho a dizer é que, nestes dois anos, o Ministério da Defesa e as três Forças se preocuparam, exclusivamente e exaustivamente, com assuntos militares.”
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