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Colunistas Polônia e Grécia – Seus atrativos e “cuidado com taxistas”

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Atenas é enorme. Cercada por varias cidades. Tudo pintado de branco. De três taxistas, dois ladrões. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A ex-cortina de ferro tem seus atrativos. República Tcheca, Hungria, Eslováquia, mais os países da ex-Iugoslávia, todos prosperam. Sem falar na Estônia e seus vizinhos. Agora foi a vez de ir à Polônia. Varsóvia foi arrasada por alemães e russos. O museu do Levante em Varsóvia é emocionante. E ir a Cracóvia é um dever. De trem. Rápido. Há muitos trens na ex-cortina. Transporte público sempre foi o forte dos países socialistas. Na virada da queda do muro viajamos de trem da Áustria à Praga. Bom, os trens Húngaros foram importados para o Brasil há cinquenta anos. Acabamos com as ferrovias. Foi a ideia de jerico mais incrível. Quem acabou com as ferrovias deveria ganhar o prêmio Ig-Nobil.

Em Varsóvia ficamos no hotel ao lado do Palácio do Governo. Cidade tranquila. Seguríssima. Muita educação. Preços ótimos na Polônia. Talvez porque ainda não tenham adotado integralmente o euro. Usam a moeda antiga, Zloty. Vale um real. E sem compra até mais do que se compra com um real. O salário mínimo da Polônia é de 2.150 zlotys. Digamos que as coisas custam um terço do que custam na Alemanha. Mas o trem rápido é caro. Cobrado já em euro.

Compra-se bons vinhos franceses por um terço do que se paga no Brasil. Por aqui não se compra, nem nas lojas de vinho, um Chabli por menos de 170 reais (Chabli simplesinho). Pois comprei Chabli por 90 zlotys. Frio, muito frio. Ótimo para quem gosta de andar na neve. Uber funciona melhor que taxis. Um taxista nos passou a perda, o filho da mãe. O engraçado foi um motorista de Uber, bem-intencionado, mas só falava búlgaro (porque eu sei? Porque via o telefone dele com as letras do alfabeto búlgaro e a bandeirinha). Resultado: não deu certo e perdi 10 zlotys. Cobrança de taxa. Culpa da língua búlgara.

Atenas é enorme. Cercada por varias cidades. Tudo pintado de branco. De três taxistas, dois ladrões. Meu cunhado já havia passado por uma cena de vigarice explícita. Na Grécia, Uber neles. Taxi só o do hotel, mas tem de conversar antes para que ponha o taxímetro. Fora disso, o sujeito te opera.

Bueno, Acrópole, Parthenon, Areópago, prisão do Sócrates, Ágora. Aurora da civilização à frente dos nossos olhos. Hotel com salão especial para fumadores de charutos. Olha-se para fora e a Acrópole derrama seus mais de dois mil anos de sabedoria sobre a cidade e seus visitantes. E sobre o mundo. Olha-se para aquilo tudo e se pensa: somos todos gregos. Nosso imaginário é totalmente grego. Quando os alunos reclamam do professor que está contando sobre Platão ou Aristóteles, o professor deve dizer: ok. Entre em uma máquina do tempo e mate um deles. Estaríamos brigando com paus e pedras. E na volta, passe por Ulm e mate Descartes. Ups, este nem teria nascido. Na verdade, nós seriamos outra coisa. De todo modo, seria um paradoxo: matar Platão é como matar o pai – falo do paradoxo de quem entra em uma maquina do tempo e mata seu pai. Se mata o pai, não nasce. Se não nasce, não viaja. E não mata. Entenderam? Portanto, não reclamemos dos filósofos gregos. Só dos taxistas.

Na próxima vez que formos para Atenas e o taxista perguntar: como quer que vá ou dirija, responderei: “em silêncio, por favor” (como Tom Jobim fazia quando ia cortar o cabelo). Vou decorar a frase em grego. Ou escrever um papel e mostrar para ele: cale-se. Insuportável o sotaque dos taxistas – pelo menos os que pegamos – tentando falar inglês.

O meu não é bom. Mas é sem “esse” sotaque. Resultado: como grego é grego e só os gregos entendem, e os taxistas falam só uma nesga de inglês, para o visitante eles acabam falando nada. Soma zero.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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