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Geral População da China encolheu pela primeira vez este ano desde 1961

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Em um país que durante 37 anos incentivou o filho único, o desejo de ter um segundo filho despencou. (Foto: Reprodução)

Este ano, a população da China encolheu pela primeira vez desde 1961, em um momento em que a e recuperação econômica é lenta e com chineses em dúvida sobre o futuro. Morar em uma grande cidade como Pequim está cada vez mais caro, as responsabilidades maternas se somam às cargas altas de trabalho, às vezes autoimpostas, e o desejo de ter um segundo filho em um país que durante 37 anos incentivou o filho único despencou.

O declínio demográfico implica um problema: se a tendência continuar, o país vai envelhecer rapidamente e sofrerá uma queda na sua força de trabalho à medida que os gastos de seguridade social com idosos devem crescer. E isso tende a agravar dificuldades econômicas atuais. “Se o direcionamento para a recuperação econômica em parte se baseia no aumento do consumo e da demanda ao nível doméstico, uma estrutura populacional formada por uma população economicamente ativa menor é um desconforto imediato para o planejamento estatal”, diz Aline Tedeschi, doutora em Relações Internacionais e Desenvolvimento e membro do centro de estudos Observa China.

O governo chinês tem alterado políticas para os casais terem mais de um filho. Algumas envolvem mudanças estruturais, como regular horas de trabalho e diminuir custos da educação, saúde e de moradia. Outras são direcionadas para impulsionar a formação familiar e vão de descontos para viagens turísticas de lua de mel a descontos em escolas. Até o momento, no entanto, elas ainda se mostram ineficazes.

Luo Ya, a advogada de 35 anos, conta que ao ter o primeiro filho, as responsabilidades em casa cresceram ao mesmo tempo em que a carga de trabalho foi mantida. Ela trabalha cerca de 48 horas semanais, uma média acima da carga horária máxima brasileira (44 horas semanais) estabelecida em lei, e precisa contar com ajuda dos pais para a criação do filho, já que seu marido também trabalha. “Mas meus pais estão ficando idosos, e eu também preciso ajudá-los”, contou à reportagem em uma entrevista posterior ao jantar em Pequim.

Segundo Luo Ya, sua empresa tem sido pressionada a diminuir a carga horária de trabalho dos funcionários, mas muitas vezes ela opta por permanecer no expediente para entregar projetos no tempo previsto. Trata-se do mesmo com o marido. Não raramente, os dois trabalham de 9h às 21h em dias de semana, afirmou.

Não se trata de um caso isolado. É cultural. O governo chinês combate desde 2021 o chamado sistema de trabalho “996″, que significa trabalhar de 9h às 21h em 6 dias por semana, mas diversas empresas e os próprios funcionários, sobretudo os veteranos, continuam com a prática. Em 2019, por exemplo, o empresário chinês Jack Ma, cofundador da gigante de tecnologia Alibaba, elogiou a cultura de trabalho 996.

Enraizada na sociedade chinesa, a cultura tem sido abandonada progressivamente pela juventude atual, que quer fugir da pressão do trabalho para ter mais tempo livre. Não significa, no entanto, o desejo de ter filhos, ao menos não durante essa fase. “Penso em ter filhos, mas primeiro quero obter sucesso profissional e ter a minha própria realização”, disse Su Mei, uma chinesa de 24 anos recém-formada em marketing. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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