Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 16 de março de 2018
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Quando jornalistas da área política se encontram, a pergunta mais frequente é esta: há chance para o surgimento de um candidato à Presidência que repita os êxitos de Jânio Quadros e Collor de Mello? Alguém de ascensão rápida e fulminante, sem tradição na política, que corra em faixa própria e demonstre carisma invulgar.
Em 1960, Jânio desprezou os partidos; em 1989, Collor criou um para si. Hoje, as siglas estão muito mais desgastadas do que há 29 anos. Se for feita uma pesquisa, o voto facultativo terá grande aprovação. Prova é o alto e crescente índice de brancos e nulos, além de abstenções.
Faltando seis meses e meio para a ida às urnas, paira uma nuvem de incerteza e o cenário está aberto, inclusive para aventureiros que poderão empolgar.
O que aparece no horizonte
Meteorologistas da política preveem rápidos abalos na crosta do PMDB com o retardamento do governador José Ivo Sartori em anunciar a sua candidatura à reeleição. Na tela de acompanhamento via satélite, não enxergam com clareza a possibilidade de desistência. Porém, se ocorrer, haverá tsunami.
Coligação ampla
A chapa dos sonhos do PSDB: Eduardo Leite para o governo do Estado e Ranolfo Vieira Júnior (PTB) como vice, Ana Amélia Lemos (PP) e Beto Albuquerque (PSB) ao Senado. Teria tempo para propaganda em rádio e TV comparado a um latifúndio.
Motivo de preocupação
Começou a temporada: direções de partidos buscam escritórios de advocacia especializados em direito digital para reagir a ações de difamação pelas redes sociais. Será um dos problemas da campanha eleitoral.
No atacadão
Concebidas na Constituinte de 1988, as medidas provisórias têm sido editadas aos borbotões. Na média, é uma a cada semana. Trata-se de absurdo que deturpa o entendimento de que só podem ser usadas em casos extremos.
Retrato do momento
Mesmo com a obstrução do PSOL, a Câmara dos Deputados derrubou a obrigatoriedade da apresentação da “Voz do Brasil” em um mesmo horário por todas as emissoras de rádio.
Braços cruzados
Professores da rede pública estadual de Minas Gerais estão em greve há uma semana. Cobram acordos assinados em 2015 com o governador Fernando Pimentel, do PT, e o pagamento do piso salarial. Ontem, eles bloquearam trechos em duas rodovias federais. No Rio Grande do Sul, há compreensão com o quadro de penúria exposto pelo governo: nem bloqueio, nem greve.
Fim da linha
Na recente eleição da Colômbia, as Farc, beneficiadas com a anistia, concorreram pela primeira vez. Foram punidas, não passando de 0,5% dos votos. Rejeição definitiva da guerrilha, para desalento das esquerdas na América Latina.
Inimaginável hoje
A notícia publicada a 16 março de 1988 demonstra como a transição para a democracia foi lenta: “O Tribunal Superior Eleitoral não vai permitir que os partidos ocupem o horário gratuito para fazer pesadas críticas e lançar candidaturas à Presidência da República”. Como os programas eram ao vivo, seriam acompanhados por um magistrado no estúdio, que poderia tirar do ar, a qualquer momento.
Cena de palanque
Em comício eleitoral, todas as lideranças querem falar. Por isso, o mestre de cerimônias costuma pedir que as manifestações não excedam a cinco minutos. Certa vez, um orador passou dos 15 minutos e ouviu uma reclamação em voz alta. Sua resposta: “Eu só falo quando estou pensando.” Veio a tréplica: “É chato, porque Vossa Excelência não para de pensar…”.
Para o eleitor não esquecer
Marqueteiros aconselham a formação de dobradinha de candidatos que concorrerão à Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas. Sugerem que, além do nome, criem identificação fácil de ser assimilada. Exemplos: Simpatia e Gente Fina, Preferido e Predileto, Poliglota e Porta-Voz. A imaginação voa.
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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