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Saúde Por que milhares de mulheres estão usando as redes sociais para abandonar a pílula?

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Comunidades com até 80 mil participantes trazem relatos de experiências negativas com o uso de contraceptivos orais. (Crédito: Reprodução)

“Pare de tomar a pílula porque ela não deixa nosso filho nascer.” Era 1970, e Odair José cantava sobre os comprimidos que, enfim, separavam sexo e gravidez. Depois da revolução sexual da década anterior, a pílula significava liberdade para muitas mulheres.

Mais de 40 anos depois, porém, brasileiras se dizem presas à pílula. Elas fazem parte de um movimento que vem crescendo nas redes sociais e discute como parar de tomar o anticoncepcional e quais são os métodos alternativos a ele, incluindo a tabelinha. No Facebook, grupos sobre o assunto chegam a ter 25 mil participantes.

Uma página, com 80 mil curtidas, ajuda a explicar o motivo: em “Vítimas de Anticoncepcionais, Unidas pela Vida”, mulheres contam as experiências negativas que tiveram ao tomar os contraceptivos orais.

Os relatos vão de mudanças de humor a enxaquecas diárias e casos de trombose (formação de coágulo dentro de vaso sanguíneo). Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), contraceptivos com drospirenona, gestodeno ou desogestrel levam a um risco quatro a seis vezes maior de desenvolver tromboembolismo venoso em um ano.

Os laboratórios que produzem as pílulas mais populares no País afirmam que os benefícios para o corpo superam os problemas. Dizem também que os efeitos estão descritos na bula e, com orientação médica, o uso é seguro. Mesmo assim, as participantes dos grupos reclamam que o acompanhamento é insuficiente e que nem todos os efeitos colaterais são falados pelos médicos.

Outra queixa recorrente são as mudanças de humor, também descritas nas bulas. Distúrbios psiquiátricos e estados depressivos estão nas contraindicações de vários medicamentos.
A ação do estrogênio e progesterona sintéticos – presentes na maioria dos anticoncepcionais hormonais – sobre o cérebro feminino é pouco conhecida.

No ano passado, um trabalho da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (EUA), indicou que esses hormônios podem encolher certas regiões do cérebro ligadas ao controle emocional e alterar seu funcionamento.
Uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, Nicole Petersen diz que “o mecanismo pelo qual isso pode ocorrer é completamente desconhecido neste momento”.

Sem explicações.

As mulheres procuram os grupos on-line – atitude geralmente pouco recomendada pelos médicos – porque seus ginecologistas costumam não dar muitas explicações sobre outros métodos ou se recusam a falar. Lá, trocam experiências sobre deixar a pílula e aprendem como funciona o DIU (dispositivo intrauterino), a tabelinha e a camisinha feminina.

As comunidades na internet também reúnem muitas reclamações sobre ginecologistas que não pedem exames antes de receitar os comprimidos. As queixas vêm acompanhadas de relatos sobre problemas sérios de saúde.

Segundo os critérios da OMS (Organização Mundial de Saúde), a obrigatoriedade de exames de rotina para rastreamento de trombofilias não é adequada, por causa da raridade das condições e do custo dos exames.

Tabu.

Quando conseguem informações e decidem parar a pílula, as mulheres têm de explicar sua decisão para médicos, amigos e família. E esclarecer que isso não significa um bebê a caminho.

Segundo o Ministério da Saúde, os chamados métodos comportamentais têm percentagem de falha entre 1% a 25%. O da pílula vai de 0,1 a 8%. Por isso, a ginecologista Halana Faria recomenda o uso combinado com a camisinha ou o DIU.

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