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Colunistas Por que não somos um país rico?

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O Brasil é dono de vastas áreas agriculturáveis

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O Brasil é dono de vastas áreas agriculturáveis. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O Brasil abriga cerca de 2,5% da população mundial, mas não produz 2,5% da riqueza global – produz menos – e, por isso, permanece entre as nações pobres. Em contraste, a Alemanha, com apenas 1% da população mundial, produz mais de 4% do PIB global. É um país rico. E os Estados Unidos, com pouco mais de 4% da população global, produz 26% da riqueza total. É um país riquíssimo.

Os países não nascem pobres ou ricos. A fortuna das nações é lavrada, dia após dia, pelo trabalho do seu povo. E é nesse ponto que reside o paradoxo brasileiro: dono de vastas áreas agriculturáveis, de um quarto da água doce do planeta, beneficiado por um clima generoso e por abundantes riquezas minerais – do ferro ao ouro e do petróleo às terras raras –, ainda assim cresce a passos curtos. Enquanto isso, nações extremamente carentes em recursos naturais, como Singapura ou a Coreia do Sul, por apostarem fortemente na educação e na qualificação dos seus trabalhadores, colhem hoje os frutos de um crescimento acelerado.

Muitos são os motivos que refreiam o crescimento econômico brasileiro: impostos elevados, gasto público volumoso, dívida pública crescente, desequilíbrio fiscal, juros altos, inflação persistente, burocracia sufocante e uma insegurança jurídica que afugenta os investidores. Mas há um obstáculo mais profundo e silencioso: a insuficiente qualificação da força de trabalho e o tímido investimento em tecnologia. Como resultado, quando o país ensaia acelerar o crescimento, logo retorna à lentidão – os conhecidos “voos de galinha”.

Há décadas, o crescimento brasileiro oscila em torno de 2% ao ano, distante do ritmo de nações como a China (8,2%) ou a Índia (6,3%) e até de países vizinhos, como o Peru (4,1%), a Colômbia (3,6%) e o Chile (3,1%). E enquanto o tempo passa, a renda per capita brasileira, que em 1980 ocupava a 48ª posição mundial, caiu hoje para a 87ª posição.

Pelas políticas adotadas, o trabalho perdeu terreno para formas de sustento alheias à produção direta: ampliaram-se os programas assistenciais, consolidaram-se as aposentadorias precoces e discute-se a redução da jornada de trabalho. Em um país de mais de 200 milhões de habitantes, 42 milhões ainda não ingressaram na idade produtiva (tem menos de dezesseis anos de idade) e 10 milhões de jovens com 18 a 24 anos não estudam nem trabalham – apelidados “nem-nem”.

Os programas sociais atendem dezenas de milhões: o Bolsa Família suporta 48 milhões; o Benefício de Prestação Continuada ampara 6,5 milhões; o INSS sustenta 24 milhões e 39 milhões usufruem a previdência privada e a aposentadoria no serviço público. No fim dessa equação, um contingente restrito de 49 milhões de trabalhadores formais, e outros tantos na informalidade, sustenta uma imensa rede de dependência.

Quando se observa a produtividade do trabalhador brasileiro, a diferença de rendimento por hora trabalhada em relação ao de países mais desenvolvidos, é expressiva. Um trabalhador norte-americano gera, por hora trabalhada, quatro vezes mais riqueza do que um brasileiro. Na construção civil, onde cinquenta trabalhadores norte-americanos erguem um prédio de vinte andares em um ano, no Brasil cem homens levam, em média, três anos para concluir a mesma obra.

Não se trata de falta de empenho ou de vontade. O que falta ao trabalhador brasileiro é acesso ao conhecimento, ao domínio da moderna tecnologia e a uma infraestrutura adequada. Sem investir de forma decisiva em educação, inovação, tecnologia e infraestrutura, continuaremos amargando um crescimento tímido, repetindo ciclos de esperança e frustração, perpetuando a estagnação, a pobreza e o subdesenvolvimento.

* Eduardo Allgayer Osorio, engenheiro agrônomo, professor titular da UFPEL aposentado

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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